domingo, 26 de dezembro de 2010

Uma carta

São Bernardo do Campo, 25 de Dezembro de 2010

Olá, tudo bem?



Entre todas as minhas cartas, esta é a única que escrevo para você (se me permite chamá-lo assim). Tudo bem, eu sei que não fui uma boa menina esse ano. Não sei se peço desculpas, pois sei que vou fazer cagadas ano que vem. Isso não é algo do qual me orgulho, mas vou me esforçar para não te decepcionar, prometo!

Deixando as desculpas de lado, vou ao menos agradecer, especialmente por esse dia. O peru, a costela, o salpicão e os presentes são para lembrar o nascimento do seu querido filho. Não são todos que sabem do seu sacrifício em mandar o bom menino à Terra para sofrer e morrer por esse povo ignorante. Muito obrigada! Deve ser muito ruim ver um filho assim né? Obrigada também por muitas outras coisas, como o meu travesseiro que ouve minhas lamentações, pelo meu emprego (não é lá aquelas coisas, mas me dá uma graninha), e também pela sacada do meu lindo apartamento que tanto me entretêm. Claro que eu gostaria de ter muito mais e às vezes você não atende a meus pedidos. Ainda assim, obrigada por tudo viu?

Ano que vem, por favor, vê se arranja um computador com internet para facilitar o nosso contato ok? Eu preciso te ver e ouvir sua voz, porque (admito) eu preciso de você cara!

Não vou fazer falsas promessas como: ler a bíblia todos os dias ou deixar de tomar aquela tequila de vez em quando. Mas tentarei ser mais obediente e melhorar nossa relação de Pai e filha.



Mais uma vez, obrigada.



Nos falamos de noite.



 Luciana

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Quero Seu Calor

Aqui: Eu. Nem noite de frio, nem de calor.
Aconchegante.
Nem apagada, nem reluzente. A lua simplesmente está lá e os olhos dele são mais belos que ela.


Mais cedo, maravilhosa sensação de ser desejada senti.
A pele arrepiada, pulso acelerado e a vontade de colar seu corpo nu ao meu. 
Sem demoras, vontade realizada. Nós num ritmo nosso.
Expirando os exasperos em suspiros e palavras ofegantes.
E então, preparados, chegam os momentos em que a vida, o mundo nos parecem certos.

Os minutos eram luz! Com a mesma velocidade e o mundo ainda era perfeito.

"Eu quero seu calor" é seu dizer que não sai daqui, do meu corpo e de todos os sentimentos que eu carrego nele por ele. 

Paixão, Tesão, Amor.

Reggie

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O nada

.
.
Ah se eu tivesse inspiração... Um amor, uma dor. Ao menos imaginação.
De que adiantariam meus versos suados, às vezes rimados?
De quem seriam? Para quem seriam?
E se forem de ninguém, qual o problema?
E o vazio? Por que não se transforma em poema?


Socorro. Não sinto amor, nem dor. Não sinto nada. 
A que levam as madrugadas acordadas
As palavras reviradas?


A velha voz não ouço mais. O velho sorriso já é quase indiferente
E os velhos versos hoje me fazem rir. Quanta estupidez...
Estou livre da insensatez. Vazia.
Não espero por ninguém. A porta está fechada.
Talvez uma nova voz venha invadir meu quarto pelas frestas.

Luciana

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meus versos não são teus

Amor, engano meu dizer-te que minhas palavras rabiscadas,
eruditas ou despojadas são tuas.

Meus versos não são teus e de ninguém.

Nem meus se queres saber bem.

Até hoje não sei o que é ser poeta,

uma vez que meus versos são cativos, escravos, domados
de uma cesta cheia de rimas, estruturas, culturas...
De um cobertor de nomes.

É como o trilho de um trem.

Um vagão que nunca altera seu trajeto.
É sempre a mesma viagem, a mesma paisagem.

Amor, o que é de meus versos se são para ti,

mas agradam mais a mim?

Só os poetas entendem os poetas.

Eu não quero ser poeta para me mostrar poeta.
Eu quero sem ser poeta, o ser para que quem não seja poeta,
pense e faça de mim e dele próprio um grande poeta.
Como se nos entendêssemos, como se fôssemos poetas.

Amor, eu desabafo agora.

Eu desarrumo, eu desabo (antes do desabafo).
Eu desabrocho (depois do consolo).
Eu desafio
Meu coração, meu amor, você
A me desabrochar.



Reggina Caeiro

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Soneto de Sonho


Simplesmente que me aparecesses
Na escuridão desse momento e antes
Que pudesse sentir tua presença ofegante
Eu pensasse que nunca senti amor como esse.

E que eu pudesse antes de ouvir seus passos
Lembrar-me das nossas melodias e compassos
Aliviar-me, e de súbito abrir os olhos e ver-te perto
E perceber que pelo meu corpo já estás encoberto.

Os pelos do teu rosto já encontrando meu colo.
E de felicidade, sutilmente e romântica, até choro
Lágrimas do alívio e daquilo que chamam "contentamento"

Aos poucos, amor, tenho descoberto o que é ser poeta,
Ter amor de poesia, um amor de alma sonhadora e discreta
E no interior, eu escrava do misterioso sentimento.

Reggina Caeiro

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vazia

.
.
Era sexta feira. A noite estava boa e a convidava.



A toalha branca contornava seu corpo molhado recém saído de um longo banho e contrastava em sua pele morena. Ela passou a mão sobre o espelho embaçado e cobriu seus olhos de maquiagem. Minuciosamente pintava seus cílios de preto. Cada pincelada trazia um pensamento diferente.
O barulho do vento que soprava na janela não era mais alto que os sentimentos desconhecidos que chegavam sem aviso.
Sua roupa esperava ao pé da cama. Cobriu as pernas com uma meia calça preta, por cima viria uma saia ousada ressaltando as formas do seu corpo. Abotoou pacientemente a camisa que lhe caía sobre os seios perfeitamente. Subiu no salto vermelho como se pudesse subir na vida. Olhou-se no espelho. Quase pôde acreditar na mulher poderosa em sua frente.
Encarou a rua com um olhar confiante e um andar ritmado. Decidiu se perder na noite sem pensar no que viria. Deixou em casa o relógio e o vazio que a preenchia.
Amanhecera frio.
Passou pela porta cambaleando, com o olhar baixo e a maquiagem borrada. Os sapatos vermelhos que estavam nas mãos foram lançados contra o chão num ato de derrota.
Deitou-se na cama e recuperou o vazio de outrora. Encolheu o corpo, se enroscou na coberta como se pudesse se proteger de algo...
Enfim, adormeceu ao barulho do vento que soprava na janela e ao som dos sentimentos que chegavam sem aviso.




Luciana

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Carta a um Homem

Esta carta é pra um homem. Um homem atraente, e irreverente.
Esta carta é pra um homem que voltou, que me fez bem novamente.
Esta carta é pra alguém que secou a chuva e a lama dos meus sapatos; é pra um homem que me fez achar graça em nada, porque o muito em nada acrescenta. O muito se transforma para muitos.
Esta carta é para um homem que transformou meu corpo numa morada de borboletas que levantam voo várias vezes no dia me fazendo cócegas e me inspirando poesia.
Esta carta é pra aquele homem com a boca cheia de palavras e os braços cheios de gestos, e que dos gestos me agradam os abraços e das palavras o hálito de exaspero. Por que me agrada o exaspero?
Nem eu me respondo. Só me agrada e pronto.
Esta carta é talvez o único conjunto completo de palavras que saíram depois de seu regresso e esse conjunto é pra um homem sem igual. 

E significa tanto...
Amor, fervor, humor...
Mas ainda é tão pouco...
Amostra, aposta, proposta...

É amor. E precisa de explicação?
É fervor, é paixão. Então deixe pro de cima o coração. 
E é humor. São piadas e tiradas que me escorregam pra sempre mais risadas e gargalhadas.
Esta carta é uma amostra do resultado da aposta a respeito de uma certa proposta...

FELICIDADE...

Finalmente, a simples carta: 

Amo-te como a mim.
E como de mim, cuido de ti.
Da sua alegria sai o meu riso.
E do seu riso, o meu contentamento.
Confesso-te, humilde, adorar
esse seu viver, seu respirar.
E, homem, junto a mim nunca houve
pessoa a quem eu pudesse tanto amar.

Reggina Caeiro

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Amanhã

.
Ah... As páginas do calendário viraram tão rápido...
Amanhã.
O dia mais esperado e desejado. Aqui dentro se passa tanta coisa que não sai nada. Tantas dúvidas, tantas perguntas, tanta agonia. Só consigo imaginar a placa da cidade se aproximando e o momento do grande reencontro.
E se ele não vier? E se amanhã não for nada disso? Meu sorriso vem sempre acompanhado de um medo sem tamanho.
Nessa hora toda a paciência se esvai e o único a recorrer é o tempo.
Esperar, esperar, esperar... Até amanhã.


Luciana

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

ah...

Você me aparece pelas costas.
Beija meu pescoço, e o fogo se acende.

É toda vez assim.
Sua respiração já me deixa ofegante e num golpe, me encontro com as costas em uma parede clara de uma sala desconhecida,
Mas sem me importar porque é você quem me protege.

Proteger? Proteger-me de quem ou do quê... Se é você mesmo quem me ataca?
Tanto sonhei com este beijo, que ainda me enlouquece.

Cada traço de seu rosto me deixa aérea demais pra uma paixão.
Isso é amor e você não pode negar.
Eu ficaria horas deitada nesse mesmo chão, com essa mesma música, com você.
assim como permaneceria horas imóvel só esperando seus olhos se abrirem depois daquela longa noite prometida.
E assim como posso dormir por tanto me sentir confortável perto de você.

Hoje é assim. me sinto feliz, confortável e livre ao seu lado.

Reggina

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Duas palavras

Na noite passada conversava com o Cáprio. Os poucos minutos já faziam diferença.

Esqueci o sono por uns instantes e li com prazer aquelas poucas letras. Quando me decepcionei com a despedida, me surpreendi com duas palavras perdidas dizendo “Amo você”. Encarei a tela do computador com um olhar desconfiado, mas não respondi. Deixei aqui dentro o que mais queria dizer, enquanto continha uma felicidade ingênua que tentava esconder por trás de um sorriso tímido. Não disse a ninguém. Eles diriam o de sempre, talvez sentiriam pena. Não sei o verdadeiro significado daquelas palavras e nem me interessa.


Digam, pensem, falem o que quiser.


Nada fala mais alto do que o som daquelas duas palavras ecoando no ouvido antes de dormir.



Amo você   Amo você   Amo você...

Luciana

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Música



Essa música me enlouquece de um jeito que nem sei
O sono agora é apenas esse verso mal escrito
Uma voz distante que me atiça. Um deleite surreal, talvez
Que me faz questionar quanto tempo demora um mês



Só para finalmente sermos duas notas em harmonia

Arranjadas ao mesmo ritmo
Compondo um som suave e cheio de prazer
Que toque até nascer o dia



Vamos fundo sem olhar para trás?

Eu me entrego à melodia que só as paredes ouvirão
Pode ser só um sonho de menina, ou ilusão
Desde que eu acorde apenas com o peso da sua mão
E faça de você minha eterna sina



Então vem. Vem agora

Deixe nosso futuro apenas à mercê
Diz que vem que eu deixo a porta entreaberta pra você
Então entre com um meio sorriso, ligue o som e saiba o quanto eu te quero


Luciana

domingo, 12 de setembro de 2010

O cheiro

Ontem fui dormir com um cheiro diferente na mão.
Cheiro bom, um pouco fascinante.
Faz lembrar uma noite gostosa sem compromissos e regada à tequila.
Não houve amor nem paixão, mas o perfume ficou...Parecia até que minhas mãos ainda estavam agarradas àquela nuca.
Nem o cheiro de cigarro atrapalhava.
Hoje tirei da cama meu vestido amanhecido e lá estava o cheiro. Mantive-o por uns instantes perto do rosto atiçando meu olfato e lembrando da noite passada. Posso até sentir o corpo bem próximo ao meu e duas mãos na minha cintura teimando em descer.
Não eram as mãos que sempre desejei, mas eram boas e me distraíram.
A noite foi boa, mas acabou. O cheiro ainda está no meu vestido.

Luciana

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Natural

Eu queria gritar!
Queria correr!
Queria amar!
Queria pular!
Queria cantar!
Queria dizer!
Queria sofrer!

Mas eu era covarde...

Criei coragem!
Hoje não penso muito antes de agir...

Quando quero gritar, limpo a garganta e vou!
Quando quero correr, boto tênis e vou!
Quando quero amar, me previno e vou!
Quando quero pular, me preparo pro tombo e vou!
Quando quero cantar, abro o chuveiro e vou!
Quando quero dizer, chamo meus gatos e vou!
Quando quero sofrer, arrumo um homem e vou!

"Tudo bem simples, tudo natural..."
Reggina Caeiro

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A última sexta feira

Desta vez escrevo ao Luque..


Mais uma noite na sacada.
Parece que tudo nos conduzia um ao outro. Mas resistimos bravamente.
As palavras se misturavam ao cheiro de cigarro e se desmanchavam na fumaça que saia pela boca... 
O som da guitarra soava ainda mais como tentação. Por que resistir?
Nos entregamos então ao último beijo. Depois de tantos outros, aquele foi mesmo o último.

E a noite se despedia ao som do rangido da rede, enquanto nos despedíamos com frases embriagadas ao pé do ouvido...

Mais uma madrugada, uma noite virada. Terá sido a última?

Espero não sentir falta.
Luciana

André


Meti meus pés à areia fria do sul, à águas geladas, à calçada de concreto em cima de um salto alto. Meti meus pés em solos estranhos, e as pernas em corpos estranhos.

Com os pés metidos em problemas, em receios, metia as mãos em paredes ásperas desejando que a noite acabasse de uma vez. Nas paredes eu deixava o cheiro de todo o cigarro que fumei ansiosamente. E foi encostada num desses muros que um sorriso me chamou atenção. Um modo de falar que diferenciava de todos dali. Era familiar.

Olhei mais de perto. Céus, que sorriso!!
Perguntei pra ele se nós vínhamos do mesmo lugar e, divinamente, ele disse que sim.
Naquele momento, quis e por pouco não o sequestrei. Ele era exclusivamente bonito.

Palavras, palavras e mais palavras. Minhas vontades estavam confusas. Ele não quis atrapalhar, mas não adiantou, corri até ele.

Deixei minha mão repousar por sobre a mesa perto do copo de sua bebida.
Sim, voluntariamente.
E sim, ainda bem que sim, a mão dele descansou sobre a minha e me fez sentir prazer.

E foi então que desejei a rua, queria me empoleirar em seu braço esquerdo e como um casal de noivos que sai de sua cerimônia de casamento, ganhar o mundo.
Demorou mas aconteceu.

"Vamos?"
"Vamos!"

Que caminho mais curto! Uma noite quase manhã enfeitava as palavras daquele moço que eu até mesmo esquecia o nome, às vezes.
Achei que o beijo ficaria na minha memória, mas naquela memória em que a gente guarda tudo o que gostaríamos que tivesse acontecido.
Mas não, ainda bem que não, ele me parou e me deu um beijo daqueles que tiram o ar, por ser súbito e gostoso.

E assim foi o caminho todo, não nos desgrudávamos. Até agora sinto o gostinho, e a vontade de mais.

André, seu nome.
 
Reggina

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Vem comigo


Inspirada pela música "Pelo amanhã imprevisível" - Súbita
Dedicado àquele que me roubou a razão...

Vem comigo.

Vamos colocar o pé na estrada e esquecer o amanhã?
Saímos sem rumo... Faço de você meu único destino e de mim o seu.
Qualquer lugar é ideal, desde que haja só você e eu.


Deixe o telefone em casa, leve apenas toda a sua loucura, ousadia e desejo. E no caminho te faço meu eterno confidente. Vamos andando, chutando as pedras da rua... Se eu me perder, te dou a mão e você me guia até a perdição. Quando cansar, nos aconchegamos em um cantinho qualquer... Fazemos nossa própria música regada à luz da lua e cheiro de mato. Enquanto ela toca, sua mão acompanha as curvas do meu corpo, sem parar.


E a noite assiste a dois corpos que se confundem, até que eu mate toda a falta que senti. O frio não encontra espaço entre eles... Matemos a saudade com força, nem que você me sufoque ou tire meu fôlego, assim te faço para sempre meu réu.


E ai, acordo com a sua voz risonha ao pé do ouvido dizendo que me quer, ou com o sol tímido que vem nos visitar. Então continuamos dois amantes ao léu...


Luciana

Luciana B.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O que quero com Gil-Galad hoje...

Para este post ouça:
http://www.youtube.com/watch?v=Ddn4MGaS3N4

Sem roupas.

Deitar-te ao meu lado esquerdo, me virar um pouco pra enxergar teu rosto de forma nítida, erguer lentamente minha perna direita e entrelaçá-la no meio das tuas.
Com um toque suave causar arrepios na tua pele e próximo ao teu pescoço inspirar teu perfume.
Abrir levemente minha boca e encostá-la em tua orelha, trilhando nela caminhos com o movimento da minha língua.
Guiar minha mão direita à tua nuca, e te fazer fechar os olhos suspirando por sentir a ponta dos meus dedos no teu cabelo...
Aos poucos ir aconchegando meu corpo por cima do teu, ainda com a boca em teu pescoço sussurrar que estava com saudade.
Levantar-me a uma distância suficiente pra enxergar teus olhos, e depois me mover até que tua boca sinta o sabor do meu colo e me surpreenda com uma mordida...
Liberar um gemido baixinho que te faça pressionar meu corpo ao teu, sem deixar espaços e então sentir o máximo de ti.
Aumentando a quantidade de células conhecidas por minuto, posso aumentar o volume da minha voz e te pedir o que sonhei e imaginei enquanto não vinhas...
A partir deste momento, podemos trocar de lado e posição, podemos flutuar, explorar cada possibilidade do recinto.
A partir deste momento, me chame de Reggina, sua concubina, e então meu corpo estará pronto para ser acariciado e mal-tratado, quiçá ao mesmo tempo.
Só saberei dizer SIM, quero acompanhar-te. Do início sensual ao final pornográfico, e depois desfrutar o cansaço dos momentos passados como dois amigos.

Reggina



domingo, 22 de agosto de 2010

Não Passou de Fervor - Soneto do final V


Contigo pude conhecer e hoje amo cinema,
aprendi a compreender e aceitar momentos,
consegui discernir e dominar meus sentimentos
e fiz do meu caminho muitas diferentes cenas.

A teu gosto eu tentava agradar, sem admitir.

Por pensar demais em ti, andava tropeçando.
Com um final de êxito e feliz vivia sonhando.
Aquele momento em que eu me veria sorrir.

Mas essa bela ilusão nunca se tornou realidade.

Trilhei sem rumo o meu caminho pra felicidade
pois essa quente excitação não se tornou amor.

Sempre anseio na madrugada acordar do pesadelo

de não possuir seu coração, e talvez sair do desespero.
Mas tudo não passa de um caso mal contado, um fervor.

reggina

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Only you

I only had your words at first, but after a while I could put yours lips on those words, your smile on your thoughts and your face on the girl that i knew 1 day would come.
I rush things to much, i went to fast, just because I didn´t want to lose you and so it happens...
I never wanted you for a day, week or a month and eternity seems so short as for now, seems so far.Maybe i did it all wrong or just wasn´t meant to be. I guess i will never know because you measured your words so well that i could never guess what were you thinking.
I never left you and I will never will, my presence and my love will always be with you and no matter how strongly you pushed me aside and even though hurted me as much as it did, you will always be with me,in my mind and in my heart. Therefor, i could never say goodbye.When i come back, because I told you I will,I won´t be here and neither will you.


I love you much more than I suppose to and much less than i could...


Requiem (convidado)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Soneto do Final IV - frustração



Um amor que me arrepia a pele sob a água ainda morna.
Um ódio de ver este cinismo que me desagrada e te adorna.
A indignaçao, frustração e dúvida por sentir o menosprezo.
A revolta de ver acabado o antes tão adorado desejo.

Hoje é impossível pôr nessas linhas atraentes palavras,
sinto-me como temperada por canibais, refém e amordaçada.
Imploro o seu adeus pra, por pouco, esquecer meu destino
e entregas à minha carência a indiferença de um felino.

Como posso prosseguir com um final de reticências?

Ainda reconheço, ainda amor, ainda displicência
na hora de te deixar, cuidando para não entornar toda verdade.

Me guiando só pros destinos que possam ser os teus.

As borboletas dormiram em meu estômago, estão num total breu 
e eu negando minha natureza, minha necessidade e até a vontade.


reggina


terça-feira, 10 de agosto de 2010

Eu só estava com a pá na mão e um sorriso no rosto, como uma criança inocente. Mas um vento insuportável quis me impedir de construir aquele humilde castelo de areia. Parece que um dia de felicidade suprema é muito para mim. Eu não mereço ou o que? É para entender? Devo confiar em alguém que esteja no controle de tudo isso? Se houver, esse alguém não pode ser tão rude... Sou apenas uma sonhadora, oras.

Não vou suportar ouvir tudo aquilo de novo. Não! Por mais que alguns gritos possam traduzir o que está na cabeça, não são suficientes para dissolver o nó na garganta.
Depois, as gotas do chuveiro se confundem com algumas lágrimas teimosas. Por que tanta fraqueza? E a minha revolta só aumenta quando reconheço que no fundo eles estão certos. Mas a única coisa que eu quero é não pensar em nada...
A água quente parecia não esquentar nem um pouco. E quando pisei no azulejo gelado, o frio também não incomodava. Inexplicável.

Depois disso, desabafei com a fumaça nicotizada sem me importar com o frio da sacada, com o cheiro que ficaria depois, nem com o gosto amargo na boca. Cada trago, um pensamento diferente junto a uma pergunta não respondida. Eu podia ver a agonia mesclada à fumaça cinza que saia da minha boca. Eu via também o papel fino queimando devagar, assim como a minha expectativa. Etudo virou cinzas. Pelo menos o cigarro fez minha garganta arder e me fez esquecer o nó. O cúmulo da fraqueza. Pois que seja fraqueza então...

Just gonna stand there and watch me burn
That´s alright because I like the way it hurts
Just gonna stand there and hear me cry
That´s alright because I love the way you lie
I love the way you lie


Luciana

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Águas de Lindóia


A notícia dessa semana abalou ainda mais o coração atrapalhado.
O sono que até  pouco me ardia os olhos se foi e agora a única coisa que me incomoda é o frio na barriga.
Parece que nem mesmo o caderno e a caneta dão conta dessa avalanche de sentimentos desconhecidos que me toma agora. Nessa hora, o clichê " borboletas no estômago" se torna mais literal do que nunca. Já comecei a construir meus castelos de areia, não consigo mais impedir minha boca de se abrir num sorriso. E a felicidade é tanta que tenho medo.. Medo de ter meus castelos destruídos de novo, seja por uma maré alta, por um vento mais forte, ou até pisoteados por você mesmo. Mas agora é tarde demais.

Só porque eu não esperava mais...
Só porque eu estava começando a olhar em outra direção...
Só porque seu sorriso estava ofuscado na memória...
E então voltam as palavras rudes gritando em meu ouvido, mas minha teimosia grita mais alto. Muito mais.
Não me importo em ser a terceira ou a quarta. Por mais que soe como fraqueza, vou me contentar em ter você por um dia que seja. Ou só por uma noite...
Já desisti de lutar contra a minha expectativa e recuperar minha lucidez.
Ai Cáprio, eu estava quase virando a página, mas você apareceu, derrubou o livro no chão e arrancou todas as outras. Na história onde havia uma interrogação você colocou um ponto final.

Afinal, quando o assunto é você, os outros são os outros. 



Luciana B.

domingo, 8 de agosto de 2010

Sem oxigênio - Soneto do Final III



Já não é possível esconder as marcas que a sua partida me provocou.
O cheiro de cigarro, as olheiras. O desânimo típico de quem ficou.
Os tantos sonetos tristes, a casa bagunçada, descrença e indiferença.
Mais cedo, a solidão fez morada, e tirou o sonho de quem já nem pensa.

Cansei-me de teus amores e paixões almejar,
de teu perfume, sem ti, conseguir respirar.
É tão difícil ver-te sem tuas fibras poder sentir.
E é tão fácil te pensar e no próximo segundo sorrir.
 
Amor, não sabes a intensidade dessa droga dentro de mim.
Ando com um amor tão grande e uma saudade sem fim.
Arranjando versos e rimas só pra tentar exteriorizar.


De que me adianta? Isso tudo nunca chegará a você. 
E mesmo que chegasse nenhuma diferença chegaria a fazer.
Não ando só com amor ou com saudade, ando com falta de ar.

Reggina

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Soneto do Final II


Me peguei relendo tuas cartas e sorrindo com a lembrança de quando elas chegavam.
Por vezes me surpreendi, não te reconhecia de uma forma que meus olhos se maravilhavam
Com o que eu via se aproximar, parecia que aqueles laços nunca me fariam mal.
As tuas palavras estavam cada vez mais doces, e um amor parecia cada vez mais real.

Antes eu estivesse totalmente só a te receber por metades.
Mas que dor me faz essa falta do teu falar e do teu sorriso-verdade.
Ando tropeçando no vento e sentindo calafrios indiscretos
Rondando madrugadas, publicando meus sonhos secretos.

Sorri, me empolguei, desejei os teus sonhos como meus.
Gemendo na noite fria me imaginei como Morfeu.
Acordei com os olhos inchados, minha pele enrijecida, mas não senti dor.





Senti uma saudade de um passado de felicidade, de amor, um passado tão recente.
Mas nada importa nem vai importar porque quando te vi me abandonando tornei-me descrente
De mim mesma, não confio mais em minha percepção para o seu amor.





Reggina Caeiro

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Soneto do Final

Eu bebi, fumei, me prostituí.
Arruinei minha maquiagem, meu salto alto e meu emprego.
Em cada passo eu fitei o céu, mas em todas as piscadas eu caí.
Joguei meu humor pro alto, pratiquei o desespero e o desapego.

Embrulhei meu estômago pra presente
Com aquela estranheza peculiar,
Um gosto ruim na boca, uma eloquência indecente.
Aquela nostalgia que me ajuda te amar.

Arrastei uma onda de sonhos envolta numa nuvem de nicotina,
Inspirei até ter os sentidos confusos, até me sentir de novo uma menina.
Mas libertei-os e, contra a vontade, os perdi de vista.

Ainda que a fumaça me fuja do corpo e da visão, me resta uma lembrança.
Que me mata aos poucos, um amor cancerígeno, ainda uma esperança.
O cheiro na minha mão, um vício me dominando, me engana de bem-quista.

Reggina Caeiro

terça-feira, 27 de julho de 2010

drowning





Juntei os pedaços de um coração que se desfez quando ele se foi. Reanimei sorrisos para recebê-lo e hidratei o melhor carinho pra mostrar um amor demorado que eduquei dentro de mim.
Ele me voltou como um ligamento pro coração e com um sorriso de antes, e recebeu meu carinho como nunca imaginei que pudesse.
Me inflei de esperança me afundando em dúvida. Mas me falta oxigênio, preciso gritar por socorro e ninguém hoje, a não ser ele, poderia me desafogar.

Cada vez mais fundo, cada vez mais necessito de socorro. Cada vez mais envolvida por esse mar, cada vez mais necessidade de gritar... a verdade.

Se eu dissesse você iria?
Se eu dissesse você viria?
Se eu confessasse você me receberia?
Se eu confessasse medo você teria?

Ai amor, que agonia.

Reggie


quarta-feira, 21 de julho de 2010

Música

Os Outros
Kid Abelha
Composição: Leoni

Já conheci muita gente. Gostei de alguns garotos. Mas depois de você os outros são os outros…
Ninguém pode acreditar na gente separado.
Eu tenho mil amigos mas você foi o meu melhor namorado.
Procuro evitar comparações entre flores e declarações.
Eu tento te esquecer.
A minha vida continua mas é certo que eu seria sempre sua. Quem pode me entender?
Depois de você, os outros são os outros e só.
São tantas noites em restaurantes… Amores sem ciúmes.
Eu sei bem mais do que antes sobre mãos, bocas e perfumes…
Eu não consigo achar normal meninas do seu lado.
Eu sei que não merecem mais que um cinema com meu melhor namorado.
Procuro evitar comparações entre flores e declarações.
Eu tento te esquecer.
A minha vida continua mas é certo que eu seria sempre sua. Quem pode me entender?
Depois de você, os outros são os outros e só.

beijos, Reggina

terça-feira, 20 de julho de 2010

Recaída

Olá Cáprio, quanto tempo!
Eu disse que não te escreveria mais, mesmo sabendo que eu seria fraca. Vai ser sempre assim, eu sei.
Devo dizer que não espero mais o telefone tocar, nem espero abrir a porta pra você e já me conformei em ter você só na minha insistente memória.
Estou certa de que perdi você em algum lugar dentro de mim mesma. Se achar a saída, por favor, dê o fora! Ainda há muito de você em mim, e isso me faz mal.
Há tanto nos conhecemos, mas você ainda me é um estranho.
Imprevisível e inconstante. E ainda me enlouquece.
Já me acostumei com sua indiferença e displicência.
Você desaparece, mas sempre volta para me infernizar. Eu sei que volta. E se eu me render a ele? Ainda que dizer Eu te amo não seja o suficiente e ouvir que ele me ama também não me satisfaça, ele está aqui. E se você vier? Não poderei  escondê-lo dentro do armário nem de baixo da cama.
Por que você só volta quando eu desisto de te esperar?
Vem me chamando de Amor, como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse sumido. Diz a mesmas palavras de sempre... Bonitas, forçadas, vazias. Não acredito em nenhuma delas, tá?
Mas algum troço dentro de mim me obriga a sorrir, me desconcentra, me desconserta. Então me entrego. E por que eu sempre tenho que seguir o seu ritmo? Por que você sempre conduz a dança e ainda pisa no meu pé?
De que adianta rasgar suas fotos e fingir que o tempo não passou se ele só me dá agulhadas no coração?
Mesmo sem as fotos, seu sorriso insiste em me perseguir e então eu me forço a lembrar que te esqueci.
Ainda assim, te transformo nesses versos mal escritos só para te guardar em mim de alguma forma.
Eu desisto de entender.
Mas vamos levando assim: você lá, eu cá.
Se o tal do destino insistir, quem sabe um dia nos encontramos por aí.
Enquanto isso, vou me distraindo...

Luciana

Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Por que você me esquece e some?


[...]
E se eu me interessar por alguém?
E se ele, de repente, me ganha?
[...]
Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois...

Onde está você agora?

Caetano

sexta-feira, 16 de julho de 2010

De noite, na cama

Você me ensina.
Me fala sobre vivências que eu nunca experimentei.
Me fala sobre arte, aquilo que eu nunca dominei.
E vou me impressionando com as expressões que acabam por tuas subordinadas.

Um singelo conforto me sequestra nesses momentos.
O porquê eu não entendo, mas aproveito.
São tão poucos. Preciso captá-los rapidamente antes que desvaneçam.

Você põe pra tocar aquela música que me ensinou a gostar.
E mais tarde por um toque de estupidez, fico a me perguntar por que com ela vivo a sonhar.

Santa ingenuidade, Reggina.
As manias, preferências e peculiaridades vivem a me atormentar.
Perturbam o meu sono, e ornam a minha mente durante a alvorada.

"De dia eu faço graça, pra não dar bandeira não deixo você ver...".
É, Simona... Mas "de noite, na cama eu fico pensando...".


Reggina Caeiro

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Tragada

Só um trago. Só você e eu...
A gente começa devagar, pouco a pouco.
Primeiro eu te acendo, depois te puxo para dentro e vou te sentindo descer garganta abaixo, queimando devagar, te prendo por uns instantes... Sinto um estranho deleite.
Quando meu fôlego acaba, solto sua fumaça lívida, tímida, ela vai se perdendo e se confunde com os ares da noite.
Às vezes me escondo atrás da fumaça para não assumir minha fraqueza. A cada baforada sinto que seu efeito alucinógeno, ao mesmo tempo em que me satisfaz, me sobe à cabeça.
E ai seu sorriso reflete no vidro da janela do quarto, ou da garrafa de Cuervo.
Quando não, ele aparece de baixo da cama ou atrás da porta. Posso até te ver infiltrando entre as frestas do meu quarto, como fumaça.
Se eu pudesse, te enrolaria em um papel de seda e te tragaria inteiro para mim.
Cada trago, um estrago. E maior o meu vício tão caricato. Vício de você.
Como pode ser tão nocivo? Com o tempo vai me matando de overdose. Mesmo assim me entrego às tragadas profundas que me aquecem na noite fria.
Depois vou dormir com seu gosto forte na boca.
Cada tragada eu digo que é a última.

Luciana

terça-feira, 13 de julho de 2010

Qual teu medo?

Você tem medo do meu ritmo? Tem medo que eu não te acompanhe?
Tem medo de me abandonar? Tem medo de ser deixado?
Tem medo da minha mentalidade? Tem medo da tua brutalidade?
Quando eu conseguirei entender?

É tudo uma desculpa pra não dizer que não me quer, que talvez não me suporte?

que talvez não queira me ouvir falar, que talvez o coração bata forte...
quando me vê chegando, ou quando eu digo que não quero mais.

Talvez tudo se resuma a um navio que demora pra deixar o cais.


O teu ego te deixa com a aparência desagradável.

Ainda bem, assim não te sonho comigo mais do que o necessário ou permitido.
Quando você sussurra ao meu ouvido, ou quando te faço querido...
Tudo me deixa presa, mas você insiste em desprender, em desamarrar, em abrir um abismo incrível.

O que me mata é a vontade de te matar.

É aceitar que vejo você quando resolvo acordar.

O que me mata é não entender que papel tem você

nessa minha historia mal vivida. É tentar encontrar a saída, e encontrar mais uma vida... de desamores.

Amor, deixa a vida te levar. Acorda, amor.

Ninguém morre de paixão.

Que aflição, amor. Viva...

Viva a liberdade. Viva o coração, viva a tensão e o tesão.

Não encare um aloha como um Ich Liebe Dich.

Não é porque te chamo de amor nesses versos que você deve ficar triste.

Ai, amor, calma, calma. Não fica assim.
Reggina Caeiro

"Boa noite, Lampida...
Boa noite, Mary Posis...
Permita-me oscular-lhe a tua face."