terça-feira, 10 de agosto de 2010

Eu só estava com a pá na mão e um sorriso no rosto, como uma criança inocente. Mas um vento insuportável quis me impedir de construir aquele humilde castelo de areia. Parece que um dia de felicidade suprema é muito para mim. Eu não mereço ou o que? É para entender? Devo confiar em alguém que esteja no controle de tudo isso? Se houver, esse alguém não pode ser tão rude... Sou apenas uma sonhadora, oras.

Não vou suportar ouvir tudo aquilo de novo. Não! Por mais que alguns gritos possam traduzir o que está na cabeça, não são suficientes para dissolver o nó na garganta.
Depois, as gotas do chuveiro se confundem com algumas lágrimas teimosas. Por que tanta fraqueza? E a minha revolta só aumenta quando reconheço que no fundo eles estão certos. Mas a única coisa que eu quero é não pensar em nada...
A água quente parecia não esquentar nem um pouco. E quando pisei no azulejo gelado, o frio também não incomodava. Inexplicável.

Depois disso, desabafei com a fumaça nicotizada sem me importar com o frio da sacada, com o cheiro que ficaria depois, nem com o gosto amargo na boca. Cada trago, um pensamento diferente junto a uma pergunta não respondida. Eu podia ver a agonia mesclada à fumaça cinza que saia da minha boca. Eu via também o papel fino queimando devagar, assim como a minha expectativa. Etudo virou cinzas. Pelo menos o cigarro fez minha garganta arder e me fez esquecer o nó. O cúmulo da fraqueza. Pois que seja fraqueza então...

Just gonna stand there and watch me burn
That´s alright because I like the way it hurts
Just gonna stand there and hear me cry
That´s alright because I love the way you lie
I love the way you lie


Luciana

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