Eu bebi, fumei, me prostituí.
Arruinei minha maquiagem, meu salto alto e meu emprego.
Em cada passo eu fitei o céu, mas em todas as piscadas eu caí.
Joguei meu humor pro alto, pratiquei o desespero e o desapego.
Embrulhei meu estômago pra presente
Com aquela estranheza peculiar,
Um gosto ruim na boca, uma eloquência indecente.
Aquela nostalgia que me ajuda te amar.
Arrastei uma onda de sonhos envolta numa nuvem de nicotina,
Inspirei até ter os sentidos confusos, até me sentir de novo uma menina.
Mas libertei-os e, contra a vontade, os perdi de vista.
Ainda que a fumaça me fuja do corpo e da visão, me resta uma lembrança.
Que me mata aos poucos, um amor cancerígeno, ainda uma esperança.
O cheiro na minha mão, um vício me dominando, me engana de bem-quista.
Reggina Caeiro

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