Meti meus pés à areia fria do sul, à águas geladas, à calçada de concreto em cima de um salto alto. Meti meus pés em solos estranhos, e as pernas em corpos estranhos.
Com os pés metidos em problemas, em receios, metia as mãos em paredes ásperas desejando que a noite acabasse de uma vez. Nas paredes eu deixava o cheiro de todo o cigarro que fumei ansiosamente. E foi encostada num desses muros que um sorriso me chamou atenção. Um modo de falar que diferenciava de todos dali. Era familiar.
Olhei mais de perto. Céus, que sorriso!!
Perguntei pra ele se nós vínhamos do mesmo lugar e, divinamente, ele disse que sim.
Naquele momento, quis e por pouco não o sequestrei. Ele era exclusivamente bonito.
Palavras, palavras e mais palavras. Minhas vontades estavam confusas. Ele não quis atrapalhar, mas não adiantou, corri até ele.
Deixei minha mão repousar por sobre a mesa perto do copo de sua bebida.
Sim, voluntariamente.
E sim, ainda bem que sim, a mão dele descansou sobre a minha e me fez sentir prazer.
E foi então que desejei a rua, queria me empoleirar em seu braço esquerdo e como um casal de noivos que sai de sua cerimônia de casamento, ganhar o mundo.
Demorou mas aconteceu.
"Vamos?"
"Vamos!"
Que caminho mais curto! Uma noite quase manhã enfeitava as palavras daquele moço que eu até mesmo esquecia o nome, às vezes.
Achei que o beijo ficaria na minha memória, mas naquela memória em que a gente guarda tudo o que gostaríamos que tivesse acontecido.
Mas não, ainda bem que não, ele me parou e me deu um beijo daqueles que tiram o ar, por ser súbito e gostoso.
E assim foi o caminho todo, não nos desgrudávamos. Até agora sinto o gostinho, e a vontade de mais.
André, seu nome.
Reggina


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