quarta-feira, 14 de julho de 2010

Tragada

Só um trago. Só você e eu...
A gente começa devagar, pouco a pouco.
Primeiro eu te acendo, depois te puxo para dentro e vou te sentindo descer garganta abaixo, queimando devagar, te prendo por uns instantes... Sinto um estranho deleite.
Quando meu fôlego acaba, solto sua fumaça lívida, tímida, ela vai se perdendo e se confunde com os ares da noite.
Às vezes me escondo atrás da fumaça para não assumir minha fraqueza. A cada baforada sinto que seu efeito alucinógeno, ao mesmo tempo em que me satisfaz, me sobe à cabeça.
E ai seu sorriso reflete no vidro da janela do quarto, ou da garrafa de Cuervo.
Quando não, ele aparece de baixo da cama ou atrás da porta. Posso até te ver infiltrando entre as frestas do meu quarto, como fumaça.
Se eu pudesse, te enrolaria em um papel de seda e te tragaria inteiro para mim.
Cada trago, um estrago. E maior o meu vício tão caricato. Vício de você.
Como pode ser tão nocivo? Com o tempo vai me matando de overdose. Mesmo assim me entrego às tragadas profundas que me aquecem na noite fria.
Depois vou dormir com seu gosto forte na boca.
Cada tragada eu digo que é a última.

Luciana

4 comentários:

Reggina disse...

eu te entendo, Lu!

beijos, R. Caeiro

Anônimo disse...

Lindo...

sem palavras!

beijos pra vc Lu!

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Sociedade disse...

Muito obrigada anônimo!
volte sempre viu?!

bjs, Lú

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