Hoje ele nao veio. Deitei na cama abraçada a uma boba esperança e deixei a porta entre-aberta, mas ninguém apareceu. Também não fechei a janela pois gosto do cheiro da noite que invade o quarto junto a uma brisa gostosa. E o silêncio da expectativa frustrada se rompe nos breves momentos em que lembro da voz. Parece até que posso ouvi-la sussurrada ao pé do ouvido enquanto a mão dele acompanha a minha cintura. O sono não vem, o celular não se manifesta, é inevitável não imaginar onde ele está agora e porque não apareceu. As minhas especulações só me deixam ainda mais louca. Meu quarto me tortura, eu o vejo dentro do armário e escondo a cabeça no travesseiro para não ouvir sua voz que grita.
Penso em algum lugar para onde eu possa fugir e ficar livre, ao mesmo tempo em que o meu desejo é que esse lugar seja seu peito, ou seus braços, sei lá...
Como eu durmo então? Eu deveria fechar a janela para evitar as borboletas que me atormentam e ceder ao sono, ele é a única fuga que distrai o velho desejo.
Hoje estou aqui só com o cheiro da noite, as borboletas e a ausência dele, mas não sofro, apenas vivo. Eu sei que logo ele vem... Amanhã ou depois.
A porta está aberta. Ainda.
Luciana B.


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