segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meus versos não são teus

Amor, engano meu dizer-te que minhas palavras rabiscadas,
eruditas ou despojadas são tuas.

Meus versos não são teus e de ninguém.

Nem meus se queres saber bem.

Até hoje não sei o que é ser poeta,

uma vez que meus versos são cativos, escravos, domados
de uma cesta cheia de rimas, estruturas, culturas...
De um cobertor de nomes.

É como o trilho de um trem.

Um vagão que nunca altera seu trajeto.
É sempre a mesma viagem, a mesma paisagem.

Amor, o que é de meus versos se são para ti,

mas agradam mais a mim?

Só os poetas entendem os poetas.

Eu não quero ser poeta para me mostrar poeta.
Eu quero sem ser poeta, o ser para que quem não seja poeta,
pense e faça de mim e dele próprio um grande poeta.
Como se nos entendêssemos, como se fôssemos poetas.

Amor, eu desabafo agora.

Eu desarrumo, eu desabo (antes do desabafo).
Eu desabrocho (depois do consolo).
Eu desafio
Meu coração, meu amor, você
A me desabrochar.



Reggina Caeiro

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