segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Águas de Lindóia


A notícia dessa semana abalou ainda mais o coração atrapalhado.
O sono que até  pouco me ardia os olhos se foi e agora a única coisa que me incomoda é o frio na barriga.
Parece que nem mesmo o caderno e a caneta dão conta dessa avalanche de sentimentos desconhecidos que me toma agora. Nessa hora, o clichê " borboletas no estômago" se torna mais literal do que nunca. Já comecei a construir meus castelos de areia, não consigo mais impedir minha boca de se abrir num sorriso. E a felicidade é tanta que tenho medo.. Medo de ter meus castelos destruídos de novo, seja por uma maré alta, por um vento mais forte, ou até pisoteados por você mesmo. Mas agora é tarde demais.

Só porque eu não esperava mais...
Só porque eu estava começando a olhar em outra direção...
Só porque seu sorriso estava ofuscado na memória...
E então voltam as palavras rudes gritando em meu ouvido, mas minha teimosia grita mais alto. Muito mais.
Não me importo em ser a terceira ou a quarta. Por mais que soe como fraqueza, vou me contentar em ter você por um dia que seja. Ou só por uma noite...
Já desisti de lutar contra a minha expectativa e recuperar minha lucidez.
Ai Cáprio, eu estava quase virando a página, mas você apareceu, derrubou o livro no chão e arrancou todas as outras. Na história onde havia uma interrogação você colocou um ponto final.

Afinal, quando o assunto é você, os outros são os outros. 



Luciana B.

domingo, 8 de agosto de 2010

Sem oxigênio - Soneto do Final III



Já não é possível esconder as marcas que a sua partida me provocou.
O cheiro de cigarro, as olheiras. O desânimo típico de quem ficou.
Os tantos sonetos tristes, a casa bagunçada, descrença e indiferença.
Mais cedo, a solidão fez morada, e tirou o sonho de quem já nem pensa.

Cansei-me de teus amores e paixões almejar,
de teu perfume, sem ti, conseguir respirar.
É tão difícil ver-te sem tuas fibras poder sentir.
E é tão fácil te pensar e no próximo segundo sorrir.
 
Amor, não sabes a intensidade dessa droga dentro de mim.
Ando com um amor tão grande e uma saudade sem fim.
Arranjando versos e rimas só pra tentar exteriorizar.


De que me adianta? Isso tudo nunca chegará a você. 
E mesmo que chegasse nenhuma diferença chegaria a fazer.
Não ando só com amor ou com saudade, ando com falta de ar.

Reggina

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Soneto do Final II


Me peguei relendo tuas cartas e sorrindo com a lembrança de quando elas chegavam.
Por vezes me surpreendi, não te reconhecia de uma forma que meus olhos se maravilhavam
Com o que eu via se aproximar, parecia que aqueles laços nunca me fariam mal.
As tuas palavras estavam cada vez mais doces, e um amor parecia cada vez mais real.

Antes eu estivesse totalmente só a te receber por metades.
Mas que dor me faz essa falta do teu falar e do teu sorriso-verdade.
Ando tropeçando no vento e sentindo calafrios indiscretos
Rondando madrugadas, publicando meus sonhos secretos.

Sorri, me empolguei, desejei os teus sonhos como meus.
Gemendo na noite fria me imaginei como Morfeu.
Acordei com os olhos inchados, minha pele enrijecida, mas não senti dor.





Senti uma saudade de um passado de felicidade, de amor, um passado tão recente.
Mas nada importa nem vai importar porque quando te vi me abandonando tornei-me descrente
De mim mesma, não confio mais em minha percepção para o seu amor.





Reggina Caeiro

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Soneto do Final

Eu bebi, fumei, me prostituí.
Arruinei minha maquiagem, meu salto alto e meu emprego.
Em cada passo eu fitei o céu, mas em todas as piscadas eu caí.
Joguei meu humor pro alto, pratiquei o desespero e o desapego.

Embrulhei meu estômago pra presente
Com aquela estranheza peculiar,
Um gosto ruim na boca, uma eloquência indecente.
Aquela nostalgia que me ajuda te amar.

Arrastei uma onda de sonhos envolta numa nuvem de nicotina,
Inspirei até ter os sentidos confusos, até me sentir de novo uma menina.
Mas libertei-os e, contra a vontade, os perdi de vista.

Ainda que a fumaça me fuja do corpo e da visão, me resta uma lembrança.
Que me mata aos poucos, um amor cancerígeno, ainda uma esperança.
O cheiro na minha mão, um vício me dominando, me engana de bem-quista.

Reggina Caeiro

terça-feira, 27 de julho de 2010

drowning





Juntei os pedaços de um coração que se desfez quando ele se foi. Reanimei sorrisos para recebê-lo e hidratei o melhor carinho pra mostrar um amor demorado que eduquei dentro de mim.
Ele me voltou como um ligamento pro coração e com um sorriso de antes, e recebeu meu carinho como nunca imaginei que pudesse.
Me inflei de esperança me afundando em dúvida. Mas me falta oxigênio, preciso gritar por socorro e ninguém hoje, a não ser ele, poderia me desafogar.

Cada vez mais fundo, cada vez mais necessito de socorro. Cada vez mais envolvida por esse mar, cada vez mais necessidade de gritar... a verdade.

Se eu dissesse você iria?
Se eu dissesse você viria?
Se eu confessasse você me receberia?
Se eu confessasse medo você teria?

Ai amor, que agonia.

Reggie


quarta-feira, 21 de julho de 2010

Música

Os Outros
Kid Abelha
Composição: Leoni

Já conheci muita gente. Gostei de alguns garotos. Mas depois de você os outros são os outros…
Ninguém pode acreditar na gente separado.
Eu tenho mil amigos mas você foi o meu melhor namorado.
Procuro evitar comparações entre flores e declarações.
Eu tento te esquecer.
A minha vida continua mas é certo que eu seria sempre sua. Quem pode me entender?
Depois de você, os outros são os outros e só.
São tantas noites em restaurantes… Amores sem ciúmes.
Eu sei bem mais do que antes sobre mãos, bocas e perfumes…
Eu não consigo achar normal meninas do seu lado.
Eu sei que não merecem mais que um cinema com meu melhor namorado.
Procuro evitar comparações entre flores e declarações.
Eu tento te esquecer.
A minha vida continua mas é certo que eu seria sempre sua. Quem pode me entender?
Depois de você, os outros são os outros e só.

beijos, Reggina

terça-feira, 20 de julho de 2010

Recaída

Olá Cáprio, quanto tempo!
Eu disse que não te escreveria mais, mesmo sabendo que eu seria fraca. Vai ser sempre assim, eu sei.
Devo dizer que não espero mais o telefone tocar, nem espero abrir a porta pra você e já me conformei em ter você só na minha insistente memória.
Estou certa de que perdi você em algum lugar dentro de mim mesma. Se achar a saída, por favor, dê o fora! Ainda há muito de você em mim, e isso me faz mal.
Há tanto nos conhecemos, mas você ainda me é um estranho.
Imprevisível e inconstante. E ainda me enlouquece.
Já me acostumei com sua indiferença e displicência.
Você desaparece, mas sempre volta para me infernizar. Eu sei que volta. E se eu me render a ele? Ainda que dizer Eu te amo não seja o suficiente e ouvir que ele me ama também não me satisfaça, ele está aqui. E se você vier? Não poderei  escondê-lo dentro do armário nem de baixo da cama.
Por que você só volta quando eu desisto de te esperar?
Vem me chamando de Amor, como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse sumido. Diz a mesmas palavras de sempre... Bonitas, forçadas, vazias. Não acredito em nenhuma delas, tá?
Mas algum troço dentro de mim me obriga a sorrir, me desconcentra, me desconserta. Então me entrego. E por que eu sempre tenho que seguir o seu ritmo? Por que você sempre conduz a dança e ainda pisa no meu pé?
De que adianta rasgar suas fotos e fingir que o tempo não passou se ele só me dá agulhadas no coração?
Mesmo sem as fotos, seu sorriso insiste em me perseguir e então eu me forço a lembrar que te esqueci.
Ainda assim, te transformo nesses versos mal escritos só para te guardar em mim de alguma forma.
Eu desisto de entender.
Mas vamos levando assim: você lá, eu cá.
Se o tal do destino insistir, quem sabe um dia nos encontramos por aí.
Enquanto isso, vou me distraindo...

Luciana

Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Por que você me esquece e some?


[...]
E se eu me interessar por alguém?
E se ele, de repente, me ganha?
[...]
Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois...

Onde está você agora?

Caetano

sexta-feira, 16 de julho de 2010

De noite, na cama

Você me ensina.
Me fala sobre vivências que eu nunca experimentei.
Me fala sobre arte, aquilo que eu nunca dominei.
E vou me impressionando com as expressões que acabam por tuas subordinadas.

Um singelo conforto me sequestra nesses momentos.
O porquê eu não entendo, mas aproveito.
São tão poucos. Preciso captá-los rapidamente antes que desvaneçam.

Você põe pra tocar aquela música que me ensinou a gostar.
E mais tarde por um toque de estupidez, fico a me perguntar por que com ela vivo a sonhar.

Santa ingenuidade, Reggina.
As manias, preferências e peculiaridades vivem a me atormentar.
Perturbam o meu sono, e ornam a minha mente durante a alvorada.

"De dia eu faço graça, pra não dar bandeira não deixo você ver...".
É, Simona... Mas "de noite, na cama eu fico pensando...".


Reggina Caeiro

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Tragada

Só um trago. Só você e eu...
A gente começa devagar, pouco a pouco.
Primeiro eu te acendo, depois te puxo para dentro e vou te sentindo descer garganta abaixo, queimando devagar, te prendo por uns instantes... Sinto um estranho deleite.
Quando meu fôlego acaba, solto sua fumaça lívida, tímida, ela vai se perdendo e se confunde com os ares da noite.
Às vezes me escondo atrás da fumaça para não assumir minha fraqueza. A cada baforada sinto que seu efeito alucinógeno, ao mesmo tempo em que me satisfaz, me sobe à cabeça.
E ai seu sorriso reflete no vidro da janela do quarto, ou da garrafa de Cuervo.
Quando não, ele aparece de baixo da cama ou atrás da porta. Posso até te ver infiltrando entre as frestas do meu quarto, como fumaça.
Se eu pudesse, te enrolaria em um papel de seda e te tragaria inteiro para mim.
Cada trago, um estrago. E maior o meu vício tão caricato. Vício de você.
Como pode ser tão nocivo? Com o tempo vai me matando de overdose. Mesmo assim me entrego às tragadas profundas que me aquecem na noite fria.
Depois vou dormir com seu gosto forte na boca.
Cada tragada eu digo que é a última.

Luciana

terça-feira, 13 de julho de 2010

Qual teu medo?

Você tem medo do meu ritmo? Tem medo que eu não te acompanhe?
Tem medo de me abandonar? Tem medo de ser deixado?
Tem medo da minha mentalidade? Tem medo da tua brutalidade?
Quando eu conseguirei entender?

É tudo uma desculpa pra não dizer que não me quer, que talvez não me suporte?

que talvez não queira me ouvir falar, que talvez o coração bata forte...
quando me vê chegando, ou quando eu digo que não quero mais.

Talvez tudo se resuma a um navio que demora pra deixar o cais.


O teu ego te deixa com a aparência desagradável.

Ainda bem, assim não te sonho comigo mais do que o necessário ou permitido.
Quando você sussurra ao meu ouvido, ou quando te faço querido...
Tudo me deixa presa, mas você insiste em desprender, em desamarrar, em abrir um abismo incrível.

O que me mata é a vontade de te matar.

É aceitar que vejo você quando resolvo acordar.

O que me mata é não entender que papel tem você

nessa minha historia mal vivida. É tentar encontrar a saída, e encontrar mais uma vida... de desamores.

Amor, deixa a vida te levar. Acorda, amor.

Ninguém morre de paixão.

Que aflição, amor. Viva...

Viva a liberdade. Viva o coração, viva a tensão e o tesão.

Não encare um aloha como um Ich Liebe Dich.

Não é porque te chamo de amor nesses versos que você deve ficar triste.

Ai, amor, calma, calma. Não fica assim.
Reggina Caeiro

"Boa noite, Lampida...
Boa noite, Mary Posis...
Permita-me oscular-lhe a tua face."