quarta-feira, 23 de junho de 2010

Eco


Será que alguém vai tirar isso de mim um dia? Quem, se não há ninguém?
Ele não me leva a sério, posso ver o riso em cada palavra. Ele faz de propósito, só para mostrar o sorriso perfeito. Mesmo assim me contento com as migalhas de amor, só para manter um contato infame. Melhor que nada.
Ele me fez escrava, cativa de alguma coisa que desconheço. Então vôo alto, cada vez mais alto. Eu deveria temer o tombo, eu sei.
E por isso atiram sobre mim palavras truncadas, elas batem com força no meu rosto e vão escorrendo ate o chão. Permaneço firme e sorrio. Como uma mulher.
Mas à noite elas ecoam entre as paredes do meu quarto. Umas sobre as outras, ensurdecedoras, me deixando louca. É um inferno! Tenho vontade de gritar mais alto que elas, mas me contenho.  A porta fica aberta, mas ele nunca entra para silenciar o quarto. Então desabo, como uma criança.
Só melhora quando o telefone me acorda no cume da noite. Cada vibração, uma explosão. Não olho de imediato, só para prolongar a doce e ingênua expectativa. Em segundos, o quarto vai silenciando, as palavras vão sumindo. Não há mais um som sequer, nem mesmo a respiração. E então sou feliz por uns instantes e durmo em paz abraçada ao travesseiro. Como um a criança.


Luciana B.

0 comentários:

Postar um comentário