domingo, 20 de junho de 2010

Amanhecer

Hoje saí de casa em um horário atípico. Às escondidas. O Relógio do carro marcava 6:27 da manhã. Quando olhei para o céu, levei um susto: ele estava divino, sereno, inexplicável. Havia um mesclado de azul com laranja tão fascinante que eu esqueci que estava dirigindo, não conseguia olhar a rua nem o carro à minha frente. No caso de qualquer movimento brusco, uma batida seria inevitável. Ainda que os prédios da cidade estivessem na frente do céu lindo, a vista continuava exuberante. Meus olhos ardiam, eu dormiria assim que cedesse ao peso das pálpebras, mas a vista suprimia o incômodo e me despertava.


No caminho de volta, a rua era íngreme. Olhei no retrovisor e me apaixonei pelo céu novamente. À minha frente, o mesclado, no espelho, o sol aparecia tímido, cintilando por entre as árvores que fechavam a avenida, varrendo a rua delicadamente. Minha vontade era apenas de ter uma câmera nas mãos, senão ao menos um papel e uma caneta. O que eu queria mesmo era parar o carro no meio da rua, sentar no asfalto frio e observar a exuberância daquele céu, em puro êxtase. A natureza exclamava por um pouco de atenção, tentava gritar mais alto que a cidade, pareceu-me que eu era a única a lhe dar ouvidos.



O sujeito ao meu lado exclamou que nem tudo era digno de uma fotografia, às vezes a memória bastava. Discordei, mas não respondi. Estava longe... Eu precisava de uma foto sim, pois as palavras não bastariam. Muito menos a memória.



Chegamos em casa e deitamos enquanto o dia terminava de amanhecer. Acordei sozinha e me perguntei se o céu ainda estava lindo. Depois do banho, vi no espelho meus olhos borrados de maquiagem, ainda assim sai à sacada envolvida na toalha para ver se o céu me esperava. Mas ele se fora. O céu estava azul, como todos os dias. Apenas mais um céu.

Lu Bratcho

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