domingo, 24 de novembro de 2013

Olhares Como Luas

Foi quando você me olhou.
Preencheu o ambiente em que me rodeavam pessoas vazias.
Seu olhar tão sincero que me constrangia.
Uma suspeita ingenuidade desmascarada nas primeiras palavras.

Foi quando eu alcancei seu olhar.
Minhas incertezas se tornaram ainda mais trêmulas mas eu estava aquecida.
Eu só queria deitar no seu peito.

Foi quando eu consegui te entregar meu olhar.
Meus olhos cegaram. Cegaram para o mundo.

R.C.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Dias.
Noites tomadas por pensamentos.
Mantive-me à procura de caminhos e maneiras para não sentir os minutos que demoravam a correr.

Ao olhar o céu, me chegavam as questões que criei sobre a vida, o amor, sobre as pessoas deste mundo, e também me chegava a esperança de que, quando a sua lembrança pairasse sobre a minha cabeça eu pudesse ter a certeza de que você também olhasse o mesmo céu e tivesse os mesmos desejos sobre mim.

Confesso que nestes dias as minhas questões sobre a vida, o amor e as pessoas me abandonaram, ou penso que eu as mandei ir, para que toda a minha mente se limitasse à sua lembrança.

Mas como eu deixaria estes pensamentos que me mantem afastada de você irem pra longe? Seria pedir pra chorar e sofrer.
Entretanto, tenho dentro de mim essa vontade incessante e até mesmo uma tranquilidade de estar bem quando você não está, simplesmente por te amar.

Amor, vá, volte, fique.
Continue fazendo esse sentimento inesquecível, que eu continuo aqui tentando te alcançar pelo céu, te enviando meus beijos pelo vento.

Reggina 5/1/13
Antes de me deitar, palavras são trocadas com Morfeu.
Tua presença é o que mais necessito, ou penso necessitar, nesta noite.

Amo você e tudo que me traz raras memórias mais tarde transformadas.

Visite-me hoje.
Aguardo-te.
Preparada.
Amando.
Espero ser amada...
Como te amo.

Reggina
E mesmo longe esse sentimento me traz paz.
Há dias não vejo teu sorriso raro e há dias não sinto teu envolvimento peculiar.
Teu cheiro, teu toque, tuas palavras, tudo forma um ambiente propício à minha paixão.
Fica fácil não resistir.

Perdi o senso de razão há meses. Luto querendo que essa nossa relação seja feita de racionalidade mas quanto mais eu penso, mais quero deixar de pensar.
E agora me permito dispensa do raciocínio.
Deito-me e tudo que quero pensar é naquele momento: o nosso.

Reggina

Se ao menos...

Quanta saudade!
Sinto tanta vontade de você.
Vontade de tudo com você.
Saudade do seu peito colado no meu corpo, da sua boca insistindo em me morder forte.
O teu jeito agitado...

Quase te sinto aqui, amor.
Você é quase real quando, cheia de desejo, fecho os olhos.
Deitada nua nesta cama queria sentir o peso do teu corpo, sua respiração no meu ouvido e suas mãos grandes procurando meu prazer.

Ah, essas mãos grandes...
Flagro-me lembrando de como elas sabem me tocar.
Um jeito marcante, independentemente da força aplicada.
Mas claro que me deixa com calor quando penso nelas apertando minha cintura e arriscando um pouquinho de dor em locais estratégicos.
Chego a soltar um gemido baixinho quando me vem à mente o modo com que movimenta meu corpo e me coloca na posição que quer e quando, entorpecido de prazer, me levanta no ar e rodopiamos pelo quarto.
Numa onda de satisfação estamos nós, grudados um no outro, rindo de nada e desejando que as horas se prolonguem.

Amor, por que tinha de ser tão bom estar com você?
Se ao menos você não soubesse o jeito certo de me amar, esquecer tudo e aceitar o seu não querer seria menos difícil.
Mas, meu bem, você também não pode negar essa coisa boa.
Eu sei disso! Eu te vejo assim!
Infelizmente me parece que é só o que tenho a te oferecer, o que não é suficiente para te manter aqui.

Se ao menos você não soubesse o jeito certo de me amar...

Reggina 1/1/13
O aconchego do seu colo.
Quando o mundo me contraria ou me ignora, ao chegar em casa, é tudo que minha mente pensa e deseja... O aconchego do seu colo.
Esse colo que nem é meu.
Esse colo que nem tem dona.
Esse colo que eu nem reconheço...
Ah, meu amor...
Às vezes nossa história me parece tão certa.
Nosso final feliz me parece tão real.
E eu pareço tão sua... Em minha mente.

Reggina 1/1/13
Hoje.
Tudo que imagino é tua cabeça entre as minhas pernas.
Ah... Como gosto de imaginar e me lembrar disto.
Tua língua sabe bem seus movimentos e tudo me parece tão perfeito.
Uma dança coreografada.
Você e eu.
Beije.
Beije mais.
Não... Não pare.
O centro.
Seu centro.
Língua.
Lábios.
Força.
Suavidade.
Fique.
Não saia.

Reggina 30/12/12

A primeira vez que te vi bocejar

Tinhas no corpo cansaço evidente e na mente fadiga tamanha quando abriu-se numa expressão sem pudores, sem receio, confortável... Numa bela careta, podemos dizer, te flagrei.
Na primeira vez que te vi bocejar me pus também sem pudores, sem receio e confortável.
Ali éramos dois, há pouco desconhecidos, mas, aqui, era grande e próximo amor.
Doído e belo amor.
Delicioso e cada vez mais tocável.

Reggina 29/12/12
Vem.
Sim! Aja como eu implorei há tempos.
Não pense!
Sonho.
Desejo.
Você,
Aqui.
No lado esquerdo da cama.
Intimidade.
Mais intimidade.
Amor.
Mais amor.

Reggina (29/12/12)


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Deus! Eu disse Amor


A sua toalha continua no banheiro. O lençol na cama permanece desarrumado, do mesmo lado que você deitou. A rolha da garrafa de vinho se juntou à coleção das outras que você deixou nas noites anteriores e o que mais me incomoda é a vontade de ter, junto a todos estes elementos, a sua presença.
Falta algo mesmo que temporariamente.
Nosso momento preenche todo o silêncio desta casa. Silêncio que nem existe, você bem percebeu.
“Todos erram neste mundo, não há exceção”, já dizia nosso mestre, e eu errei quando cedi, quando aceitei seu louco beijo. Seu irregular e viciante beijo.
Equilibro-me numa corda que não chega a lugar nenhum, mas que não me permite voltar.
Como? Não imagino. Mas não quero voltar.
Talvez isso tudo seja criado somente por mim e por esse amor que criei.
Deus! Eu disse Amor.
Está assumido.
Reggina Caeiro (Novembro 2012)

Agradável Incômodo


Quanto mais me incomodo com suas manias, mais amo conhecê-las e ser incomodada por elas. Estranhamente me sinto bem já que me sinto mais próxima dele e de tudo que, hoje, me agrada.
E se um dia esse sentimento deixar de me agradar e o incômodo se agravar, serei ainda mais feliz, pois saberei que passei tempo suficiente ao lado dele e o sentimento permanecerá, mesmo que diferente.
Reggina Caeiro (Novembro 2012)

Presença


Dois corpos que, instintivamente, se atraem.
Duas mentes que, deliciosamente, se distraem.
Não há um só dia desde sua chegada que eu não diga que sua presença seria de um agrado infindável.
Tuas mãos inquietas, ironicamente, acalmam minha juventude, e é como se estivéssemos no infinito, numa galáxia privativa e única.
Sabendo que você está, posso render-me aos meus desejos e sua presença me faz serena, mas quando não, os minutos parecem regressivos, o sol não se move e o seu se torna o mais distante amor. 
Reggina Caeiro (Novembro 2012)

Relâmpago


Foi um relâmpago.
Tão subitamente tirou meu fôlego e me fez alerta pelo som do trovão que, certamente, logo viria.
Reggina Caeiro(Novembro 2012)

Aviões


Hoje, meu passatempo é ver aviões.
Inevitavelmente sinto infinito desejo de poder voar, da maneira que me fosse possível ou oferecida.
Voar daqui pra cima... Ou daqui pra baixo.
A queda não seria, afinal, tão brusca.

Voar pra frente, pra longe. Distante de mim, já que cada poro meu expele um pouco de você, deixando o ar ao meu redor cheio da sua presença.
Essa solidão é minha amiga e companheira e faz a minha mente um tanto alegre.
Meu desejo, entretanto, é que essas partículas que saem de mim se misturassem às que respiro e formassem, juntas, algo de você. Materializar seu sorriso, tornar realidade seu afeto, acreditar na sua existência.
Hoje, meu passatempo é ver aviões.
Vê-los, sonhar estar com eles, sem saber aonde chegar. A terra firme seria meu destino, mesmo sem conhecimento de seu nome.
Qualquer lugar desconhecido é mais real que o meu destino ao te esperar.

Reggina Caeiro (24/10/2012)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

ex-adiada

Um caminho a seguir. Um caminho só seu.

Seu passado de tristezas, mínimas ou significantes, fica pra trás, e quem desejar ser abandonado no mesmo lugar, que fique!

-
Eu sozinha, antes adiada, não me adio mais.
Nem adio ninguém, as lições valorizaram os sofrimentos, que já se tornaram cicatrizes.

Não vou adiar a quem amo.
Ao contrário, não tanto quanto uma adiada, venero, adoro, preciso do amor!
Mas, hoje, não martirizo os momentos em caso de adiamento sofrido.

Eu sou quem anda sozinha, e quem quiser andar junto, convido.

Caso apeteça, apeteço. Se não, eu sigo e me guio.

Sinta-se à vontade de compartilhar meu caminho.

E você, um grande amor meu, te convido.
Vem comigo...

Se não vier, ainda que separados, que você tenha uma vida tão boa quanto a minha!

Reggina

terça-feira, 14 de junho de 2011

Adiados

Ser adiado...
Não é ser odiado, mas também... não amado.
Triste realidade é a de ser adiado por alguém.
Participar... de um pouco.
Compartilhar o mesmo pouquinho
e sempre assim...
seguimos, nós, os adiados, sem aprender a adiar também.

Não... alguém, uma vez adiado, não adia outro alguém.
Ao contrário, constrói pedestais, altares.
É romântico doador de amor, carinho e atenção.

Pobre dos adiados.
São carentes, coitados. Abandonados.
E mesmo assim, amam.
Perdoam quem não pede o perdão.
Sofrem, exagerados, por quem nunca sofreu por ser um deles.

Os amantes adiados sofrem sendo adiados por seus amores.
Mas se eu dissesse, como legítima adiada, que junto ao sofrimento, não surge um pouco mais de amor, estaria adiando a mim mesma.

Típico.


Reggina Caeiro

domingo, 5 de junho de 2011

Beatles, Salton e despedida


Era uma festa romântica. Canções, flores e beijos.
Tudo o que eu queria era um acompanhante.
Lembrei de alguém distante que há muito tempo não via. Desejei que ele estivesse lá.
Ele estava.
Me olhou sorrindo, quis apenas que ele desejasse o mesmo.
Me contou suas histórias, elogiou meu esmalte, me estendeu a mão.
Dançamos como namorados, tão próximos que quase roubei um beijo.
Tom Jobim, Beatles e vinho branco. Rimos como velhos amigos.
Eu dizia love me too, ele: love me do.
Havia ainda uma dança pendente que eu aguardava ansiosa.
Tomamos a noite como o Salton frisante


Senti um gosto amargo quando vi que ele se despedia
O abraço demorado me fez imaginar quando seria a próxima vez
Me olhou sorrindo, quase roubou um beijo
Foi embora. Foi como quebrar a taça sobre a minha expectativa
Deixamos a dança e o beijo. Talvez outro dia...
Vi o prazer da companhia escorrendo como vinho derramado

Luciana

sábado, 14 de maio de 2011

Concubina

.
Finalmente.
O desejo reprimido se desmanchou em uma noite de outono
Dessa vez a camisa não era xadrez, mas também me fascinava
Atacou de novo pedindo um beijo. Não respondi, apenas me entreguei.
Mas os braços tatuados não vieram em minha cintura, não senti seu corpo me pressionando como eu queria, nem o beijo me sufocou como imaginava. As expectativas morreram de desengano.
Esperei na janela, como de costume.
Vi seu carro chegar. Ele não estava sozinho, como imaginava.
Sorriu de longe, reservado. Minhas dúvidas acabaram, meu desejo hesitou.
Foi uma punhalada.
Só porque eu me entregava a outro desatino, mergulhava em uma loucura...
Só porque eu ainda desejava...
Serei eu uma concubina?
Decepção, revolta e desejo...
Decepção de achar que eu poderia me entregar
Revolta por saber que poderei ser a outra
E ainda assim imaginar seus braços em minha cintura e seu corpo colado ao meu.

Luciana

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Vontade

Ah... Ele veio de camisa xadrez, sorrateiro.  Me olhou despretensioso, insinuante, daquele jeito...
Fingi que não sentia nada, mas as palavras tremulavam de desejo.


Fitou meu decote, me elogiou.
No silêncio atacou.


“Que vontade de te dar um beijo”. Ali me pôs em cheque.
Quis que ele viesse de uma vez, matasse toda a vontade.


Hesitei, estava prestes a contra-atacar.
Esquivei.


Agora temo o arrependimento e ouço o eco da sua voz no meu quarto...
Quase posso sentir aquelas mãos na minha cintura.
Só de imaginar, enlouqueço. Suspiro...
Agora, a vontade ferve, desconcentra, me faz ansiar pela próxima vez.


Luciana

sábado, 9 de abril de 2011

Sinto falta

Ouvi o som da guitarra e me lembrei das noites embriagadas na sacada. A voz me lembrou das inconseqüências que nos acompanhavam durante toda a madrugada. Sentávamos na cadeira, às vezes na rede, apenas como bons amigos esperando ansiosamente pelo momento da entrega. Por vezes eu temia que ela nunca chegasse, então minhas expectativas se desmanchavam na fumaça do cigarro.
Quando eu menos esperava, ele vinha por trás e mudava o rumo da noite. A música nos envolvia tanto que eu me esquecia do que viria amanhã, sem pensar aonde chegaríamos... Sem querer, íamos até onde nunca havia imaginado. Não com ele.
Mesmo que meu pensamento fosse de outro, meu corpo era todo dele.
Foram longas as noites de dúvidas e entregas. Cigarros, bebidas e beijos. Noites frias e boas.
Até que um dia, voltamos a ser só os bons amigos que deixaram as recaídas e as loucuras. Grande amigo que hoje não me desperta mais os desejos.
Mas que, ainda como amigo, me desperta uma lúgubre e amarga saudade.



Luciana