sexta-feira, 15 de abril de 2011

Vontade

Ah... Ele veio de camisa xadrez, sorrateiro.  Me olhou despretensioso, insinuante, daquele jeito...
Fingi que não sentia nada, mas as palavras tremulavam de desejo.


Fitou meu decote, me elogiou.
No silêncio atacou.


“Que vontade de te dar um beijo”. Ali me pôs em cheque.
Quis que ele viesse de uma vez, matasse toda a vontade.


Hesitei, estava prestes a contra-atacar.
Esquivei.


Agora temo o arrependimento e ouço o eco da sua voz no meu quarto...
Quase posso sentir aquelas mãos na minha cintura.
Só de imaginar, enlouqueço. Suspiro...
Agora, a vontade ferve, desconcentra, me faz ansiar pela próxima vez.


Luciana

sábado, 9 de abril de 2011

Sinto falta

Ouvi o som da guitarra e me lembrei das noites embriagadas na sacada. A voz me lembrou das inconseqüências que nos acompanhavam durante toda a madrugada. Sentávamos na cadeira, às vezes na rede, apenas como bons amigos esperando ansiosamente pelo momento da entrega. Por vezes eu temia que ela nunca chegasse, então minhas expectativas se desmanchavam na fumaça do cigarro.
Quando eu menos esperava, ele vinha por trás e mudava o rumo da noite. A música nos envolvia tanto que eu me esquecia do que viria amanhã, sem pensar aonde chegaríamos... Sem querer, íamos até onde nunca havia imaginado. Não com ele.
Mesmo que meu pensamento fosse de outro, meu corpo era todo dele.
Foram longas as noites de dúvidas e entregas. Cigarros, bebidas e beijos. Noites frias e boas.
Até que um dia, voltamos a ser só os bons amigos que deixaram as recaídas e as loucuras. Grande amigo que hoje não me desperta mais os desejos.
Mas que, ainda como amigo, me desperta uma lúgubre e amarga saudade.



Luciana

quinta-feira, 24 de março de 2011

Outro

Ah como é bom te ver como um qualquer.
Seu nariz de palhaço na tela do computador não acelera mais meu coração.
Que agora não é mais palhaço. Não mora mais em suas mãos.

Meus olhos agora focam um homem com a barba por fazer
Meu corpo anseia por um braço tatuado que às vezes toca minha cintura
E um olho que me atiça os instintos

Ah, é um prazer não sentir mais nada
Saber que há um homem por perto que me olha com olhos verdes
Cheios de desatino e desejo. Eu vejo

Você custou a sair de mim, mas hoje nem me incomoda
Suas palhaçadas não mais me fascinam
Nem o sorriso me comove
Agora, sou aos poucos tomada por outro homem.




Luciana

quinta-feira, 17 de março de 2011

todo seu corpo

A ansiedade em te encontrar não cabe aqui dentro do meu peito, do meu corpo todo. Todo quente.

À noite, o travesseiro tem seu rosto e parece responder se o chamo pelo seu nome...
Quanta indecência hoje. Mais que ontem e os outros dias. Mais que amanhã?
Não. E nem quero.

Eu me olho nesse espelho velho e amigo, que me mostra cada canto do meu corpo, e cada canto meu me mostra um canto seu.
É aquela antiga fala romântica com seu lado mais depravado.
“Tudo me lembra você”: Todo meu corpo me lembra seu corpo.

Todo seu corpo me lembra de todas as noites, tardes e manhãs silenciadas por longos beijos, suspiros e sussurros.
Lembra-me de todo contato da minha pele com a sua; e nossos desejos transmitidos um ao outro num segundo, sem palavras.
Todo meu corpo me lembra todo o seu corpo pressionando, onde quer que seja.
Todo meu corpo me lembra seus lábios, porque não há um canto que você ainda não tenha percorrido com eles.

No escuro é como se eu ouvisse os mais pervertidos nomes que já saíram da sua boca ao pé do meu ouvido e me delicio a esse som.

Vem...
Vem rápido. Que eu te desejo como nunca.

Reggina Caeiro




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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Agora

Nos deitamos...
Agora nos beijamos tão deliciosamente quanto nunca.
Agora eu não me contenho e beijo todo o seu corpo já nu.

Agora limpo o cantinho da boca.

Agora me deito e você me vem por cima.
Agora sinto suas mordidas enquanto me tira o que resta de roupa.
Agora você percebe que estou de vermelho, a sua cor preferida.
Agora você se esquece das cores porque já não as vê em nenhum lugar.
E agora eu sinto seu golpe molhado e macio.

Agora meu quadril parece levitar.

Agora eu peço que você troque de golpe.
E agora eu sinto o golpe rígido e fico sem fôlego.

Agora eu perco o resto da vergonha e não me chamo Reggina, agora sou concubina.

Agora...
            Agora...
                        Que calor.

Agora entramos num ritmo incrível e nosso.

Agora, de cabeça pra baixo, você me diz, sem dizer, que chegou ao “topo”.

Parece que foi tão rápido... e agora é a minha vez.
Agora foi a minha vez, agora ainda é a minha vez. Ainda estou no “topo”!
Cheguei rápido, e ainda não saí dele!

E agora você ainda está aqui e me segura num abraço enquanto meu corpo desaba.

Agora, por mais que eu peça pra cessar você não para de me entreter.

E agora, me excita tanto, que chega a minha vez novamente. Ah... o “topo”.

Agora eu durmo.
Agora você me abraça.
Agora você me acorda pra chegarmos no “topo” mais uma vez.

Reggina Caeiro
06/02/11

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Quebrando o silêncio

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Enquanto o sono não vinha, permaneci imóvel na cama, lutando com memórias agridoces. As paredes do quarto comprimiam cada pensamento mais ousado que por ventura aparecia. A janela aberta recebia muito bem a brisa noturna de cheiro suave.
Uma ligação inesperada veio de repente quebrando o silêncio da madrugada. Eu já sabia quem era. Atendi ao telefone com um sorriso pretensioso temendo me decepcionar.  Então ouvi sua voz falando de forma despojada, porém fascinante. Enquanto ele falava, eu me perguntava o porquê da ligação.
Sorri de novo temendo me iludir. Durante aqueles breves minutos as paredes perderam a força. A voz veio acompanhada a um estranho deleite. Distraiu a carência, me fez sentir bem. Não foi suficiente para amolecer o coração, mas poderosa para ecoar entre as paredes do meu quarto até que eu pegasse no sono.
Luciana

domingo, 26 de dezembro de 2010

Uma carta

São Bernardo do Campo, 25 de Dezembro de 2010

Olá, tudo bem?



Entre todas as minhas cartas, esta é a única que escrevo para você (se me permite chamá-lo assim). Tudo bem, eu sei que não fui uma boa menina esse ano. Não sei se peço desculpas, pois sei que vou fazer cagadas ano que vem. Isso não é algo do qual me orgulho, mas vou me esforçar para não te decepcionar, prometo!

Deixando as desculpas de lado, vou ao menos agradecer, especialmente por esse dia. O peru, a costela, o salpicão e os presentes são para lembrar o nascimento do seu querido filho. Não são todos que sabem do seu sacrifício em mandar o bom menino à Terra para sofrer e morrer por esse povo ignorante. Muito obrigada! Deve ser muito ruim ver um filho assim né? Obrigada também por muitas outras coisas, como o meu travesseiro que ouve minhas lamentações, pelo meu emprego (não é lá aquelas coisas, mas me dá uma graninha), e também pela sacada do meu lindo apartamento que tanto me entretêm. Claro que eu gostaria de ter muito mais e às vezes você não atende a meus pedidos. Ainda assim, obrigada por tudo viu?

Ano que vem, por favor, vê se arranja um computador com internet para facilitar o nosso contato ok? Eu preciso te ver e ouvir sua voz, porque (admito) eu preciso de você cara!

Não vou fazer falsas promessas como: ler a bíblia todos os dias ou deixar de tomar aquela tequila de vez em quando. Mas tentarei ser mais obediente e melhorar nossa relação de Pai e filha.



Mais uma vez, obrigada.



Nos falamos de noite.



 Luciana

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Quero Seu Calor

Aqui: Eu. Nem noite de frio, nem de calor.
Aconchegante.
Nem apagada, nem reluzente. A lua simplesmente está lá e os olhos dele são mais belos que ela.


Mais cedo, maravilhosa sensação de ser desejada senti.
A pele arrepiada, pulso acelerado e a vontade de colar seu corpo nu ao meu. 
Sem demoras, vontade realizada. Nós num ritmo nosso.
Expirando os exasperos em suspiros e palavras ofegantes.
E então, preparados, chegam os momentos em que a vida, o mundo nos parecem certos.

Os minutos eram luz! Com a mesma velocidade e o mundo ainda era perfeito.

"Eu quero seu calor" é seu dizer que não sai daqui, do meu corpo e de todos os sentimentos que eu carrego nele por ele. 

Paixão, Tesão, Amor.

Reggie

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O nada

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Ah se eu tivesse inspiração... Um amor, uma dor. Ao menos imaginação.
De que adiantariam meus versos suados, às vezes rimados?
De quem seriam? Para quem seriam?
E se forem de ninguém, qual o problema?
E o vazio? Por que não se transforma em poema?


Socorro. Não sinto amor, nem dor. Não sinto nada. 
A que levam as madrugadas acordadas
As palavras reviradas?


A velha voz não ouço mais. O velho sorriso já é quase indiferente
E os velhos versos hoje me fazem rir. Quanta estupidez...
Estou livre da insensatez. Vazia.
Não espero por ninguém. A porta está fechada.
Talvez uma nova voz venha invadir meu quarto pelas frestas.

Luciana

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meus versos não são teus

Amor, engano meu dizer-te que minhas palavras rabiscadas,
eruditas ou despojadas são tuas.

Meus versos não são teus e de ninguém.

Nem meus se queres saber bem.

Até hoje não sei o que é ser poeta,

uma vez que meus versos são cativos, escravos, domados
de uma cesta cheia de rimas, estruturas, culturas...
De um cobertor de nomes.

É como o trilho de um trem.

Um vagão que nunca altera seu trajeto.
É sempre a mesma viagem, a mesma paisagem.

Amor, o que é de meus versos se são para ti,

mas agradam mais a mim?

Só os poetas entendem os poetas.

Eu não quero ser poeta para me mostrar poeta.
Eu quero sem ser poeta, o ser para que quem não seja poeta,
pense e faça de mim e dele próprio um grande poeta.
Como se nos entendêssemos, como se fôssemos poetas.

Amor, eu desabafo agora.

Eu desarrumo, eu desabo (antes do desabafo).
Eu desabrocho (depois do consolo).
Eu desafio
Meu coração, meu amor, você
A me desabrochar.



Reggina Caeiro