terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Vem.
Sim! Aja como eu implorei há tempos.
Não pense!
Sonho.
Desejo.
Você,
Aqui.
No lado esquerdo da cama.
Intimidade.
Mais intimidade.
Amor.
Mais amor.

Reggina (29/12/12)


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Deus! Eu disse Amor


A sua toalha continua no banheiro. O lençol na cama permanece desarrumado, do mesmo lado que você deitou. A rolha da garrafa de vinho se juntou à coleção das outras que você deixou nas noites anteriores e o que mais me incomoda é a vontade de ter, junto a todos estes elementos, a sua presença.
Falta algo mesmo que temporariamente.
Nosso momento preenche todo o silêncio desta casa. Silêncio que nem existe, você bem percebeu.
“Todos erram neste mundo, não há exceção”, já dizia nosso mestre, e eu errei quando cedi, quando aceitei seu louco beijo. Seu irregular e viciante beijo.
Equilibro-me numa corda que não chega a lugar nenhum, mas que não me permite voltar.
Como? Não imagino. Mas não quero voltar.
Talvez isso tudo seja criado somente por mim e por esse amor que criei.
Deus! Eu disse Amor.
Está assumido.
Reggina Caeiro (Novembro 2012)

Agradável Incômodo


Quanto mais me incomodo com suas manias, mais amo conhecê-las e ser incomodada por elas. Estranhamente me sinto bem já que me sinto mais próxima dele e de tudo que, hoje, me agrada.
E se um dia esse sentimento deixar de me agradar e o incômodo se agravar, serei ainda mais feliz, pois saberei que passei tempo suficiente ao lado dele e o sentimento permanecerá, mesmo que diferente.
Reggina Caeiro (Novembro 2012)

Presença


Dois corpos que, instintivamente, se atraem.
Duas mentes que, deliciosamente, se distraem.
Não há um só dia desde sua chegada que eu não diga que sua presença seria de um agrado infindável.
Tuas mãos inquietas, ironicamente, acalmam minha juventude, e é como se estivéssemos no infinito, numa galáxia privativa e única.
Sabendo que você está, posso render-me aos meus desejos e sua presença me faz serena, mas quando não, os minutos parecem regressivos, o sol não se move e o seu se torna o mais distante amor. 
Reggina Caeiro (Novembro 2012)

Relâmpago


Foi um relâmpago.
Tão subitamente tirou meu fôlego e me fez alerta pelo som do trovão que, certamente, logo viria.
Reggina Caeiro(Novembro 2012)

Aviões


Hoje, meu passatempo é ver aviões.
Inevitavelmente sinto infinito desejo de poder voar, da maneira que me fosse possível ou oferecida.
Voar daqui pra cima... Ou daqui pra baixo.
A queda não seria, afinal, tão brusca.

Voar pra frente, pra longe. Distante de mim, já que cada poro meu expele um pouco de você, deixando o ar ao meu redor cheio da sua presença.
Essa solidão é minha amiga e companheira e faz a minha mente um tanto alegre.
Meu desejo, entretanto, é que essas partículas que saem de mim se misturassem às que respiro e formassem, juntas, algo de você. Materializar seu sorriso, tornar realidade seu afeto, acreditar na sua existência.
Hoje, meu passatempo é ver aviões.
Vê-los, sonhar estar com eles, sem saber aonde chegar. A terra firme seria meu destino, mesmo sem conhecimento de seu nome.
Qualquer lugar desconhecido é mais real que o meu destino ao te esperar.

Reggina Caeiro (24/10/2012)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

ex-adiada

Um caminho a seguir. Um caminho só seu.

Seu passado de tristezas, mínimas ou significantes, fica pra trás, e quem desejar ser abandonado no mesmo lugar, que fique!

-
Eu sozinha, antes adiada, não me adio mais.
Nem adio ninguém, as lições valorizaram os sofrimentos, que já se tornaram cicatrizes.

Não vou adiar a quem amo.
Ao contrário, não tanto quanto uma adiada, venero, adoro, preciso do amor!
Mas, hoje, não martirizo os momentos em caso de adiamento sofrido.

Eu sou quem anda sozinha, e quem quiser andar junto, convido.

Caso apeteça, apeteço. Se não, eu sigo e me guio.

Sinta-se à vontade de compartilhar meu caminho.

E você, um grande amor meu, te convido.
Vem comigo...

Se não vier, ainda que separados, que você tenha uma vida tão boa quanto a minha!

Reggina

terça-feira, 14 de junho de 2011

Adiados

Ser adiado...
Não é ser odiado, mas também... não amado.
Triste realidade é a de ser adiado por alguém.
Participar... de um pouco.
Compartilhar o mesmo pouquinho
e sempre assim...
seguimos, nós, os adiados, sem aprender a adiar também.

Não... alguém, uma vez adiado, não adia outro alguém.
Ao contrário, constrói pedestais, altares.
É romântico doador de amor, carinho e atenção.

Pobre dos adiados.
São carentes, coitados. Abandonados.
E mesmo assim, amam.
Perdoam quem não pede o perdão.
Sofrem, exagerados, por quem nunca sofreu por ser um deles.

Os amantes adiados sofrem sendo adiados por seus amores.
Mas se eu dissesse, como legítima adiada, que junto ao sofrimento, não surge um pouco mais de amor, estaria adiando a mim mesma.

Típico.


Reggina Caeiro

domingo, 5 de junho de 2011

Beatles, Salton e despedida


Era uma festa romântica. Canções, flores e beijos.
Tudo o que eu queria era um acompanhante.
Lembrei de alguém distante que há muito tempo não via. Desejei que ele estivesse lá.
Ele estava.
Me olhou sorrindo, quis apenas que ele desejasse o mesmo.
Me contou suas histórias, elogiou meu esmalte, me estendeu a mão.
Dançamos como namorados, tão próximos que quase roubei um beijo.
Tom Jobim, Beatles e vinho branco. Rimos como velhos amigos.
Eu dizia love me too, ele: love me do.
Havia ainda uma dança pendente que eu aguardava ansiosa.
Tomamos a noite como o Salton frisante


Senti um gosto amargo quando vi que ele se despedia
O abraço demorado me fez imaginar quando seria a próxima vez
Me olhou sorrindo, quase roubou um beijo
Foi embora. Foi como quebrar a taça sobre a minha expectativa
Deixamos a dança e o beijo. Talvez outro dia...
Vi o prazer da companhia escorrendo como vinho derramado

Luciana

sábado, 14 de maio de 2011

Concubina

.
Finalmente.
O desejo reprimido se desmanchou em uma noite de outono
Dessa vez a camisa não era xadrez, mas também me fascinava
Atacou de novo pedindo um beijo. Não respondi, apenas me entreguei.
Mas os braços tatuados não vieram em minha cintura, não senti seu corpo me pressionando como eu queria, nem o beijo me sufocou como imaginava. As expectativas morreram de desengano.
Esperei na janela, como de costume.
Vi seu carro chegar. Ele não estava sozinho, como imaginava.
Sorriu de longe, reservado. Minhas dúvidas acabaram, meu desejo hesitou.
Foi uma punhalada.
Só porque eu me entregava a outro desatino, mergulhava em uma loucura...
Só porque eu ainda desejava...
Serei eu uma concubina?
Decepção, revolta e desejo...
Decepção de achar que eu poderia me entregar
Revolta por saber que poderei ser a outra
E ainda assim imaginar seus braços em minha cintura e seu corpo colado ao meu.

Luciana