terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Agora

Nos deitamos...
Agora nos beijamos tão deliciosamente quanto nunca.
Agora eu não me contenho e beijo todo o seu corpo já nu.

Agora limpo o cantinho da boca.

Agora me deito e você me vem por cima.
Agora sinto suas mordidas enquanto me tira o que resta de roupa.
Agora você percebe que estou de vermelho, a sua cor preferida.
Agora você se esquece das cores porque já não as vê em nenhum lugar.
E agora eu sinto seu golpe molhado e macio.

Agora meu quadril parece levitar.

Agora eu peço que você troque de golpe.
E agora eu sinto o golpe rígido e fico sem fôlego.

Agora eu perco o resto da vergonha e não me chamo Reggina, agora sou concubina.

Agora...
            Agora...
                        Que calor.

Agora entramos num ritmo incrível e nosso.

Agora, de cabeça pra baixo, você me diz, sem dizer, que chegou ao “topo”.

Parece que foi tão rápido... e agora é a minha vez.
Agora foi a minha vez, agora ainda é a minha vez. Ainda estou no “topo”!
Cheguei rápido, e ainda não saí dele!

E agora você ainda está aqui e me segura num abraço enquanto meu corpo desaba.

Agora, por mais que eu peça pra cessar você não para de me entreter.

E agora, me excita tanto, que chega a minha vez novamente. Ah... o “topo”.

Agora eu durmo.
Agora você me abraça.
Agora você me acorda pra chegarmos no “topo” mais uma vez.

Reggina Caeiro
06/02/11

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Quebrando o silêncio

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Enquanto o sono não vinha, permaneci imóvel na cama, lutando com memórias agridoces. As paredes do quarto comprimiam cada pensamento mais ousado que por ventura aparecia. A janela aberta recebia muito bem a brisa noturna de cheiro suave.
Uma ligação inesperada veio de repente quebrando o silêncio da madrugada. Eu já sabia quem era. Atendi ao telefone com um sorriso pretensioso temendo me decepcionar.  Então ouvi sua voz falando de forma despojada, porém fascinante. Enquanto ele falava, eu me perguntava o porquê da ligação.
Sorri de novo temendo me iludir. Durante aqueles breves minutos as paredes perderam a força. A voz veio acompanhada a um estranho deleite. Distraiu a carência, me fez sentir bem. Não foi suficiente para amolecer o coração, mas poderosa para ecoar entre as paredes do meu quarto até que eu pegasse no sono.
Luciana

domingo, 26 de dezembro de 2010

Uma carta

São Bernardo do Campo, 25 de Dezembro de 2010

Olá, tudo bem?



Entre todas as minhas cartas, esta é a única que escrevo para você (se me permite chamá-lo assim). Tudo bem, eu sei que não fui uma boa menina esse ano. Não sei se peço desculpas, pois sei que vou fazer cagadas ano que vem. Isso não é algo do qual me orgulho, mas vou me esforçar para não te decepcionar, prometo!

Deixando as desculpas de lado, vou ao menos agradecer, especialmente por esse dia. O peru, a costela, o salpicão e os presentes são para lembrar o nascimento do seu querido filho. Não são todos que sabem do seu sacrifício em mandar o bom menino à Terra para sofrer e morrer por esse povo ignorante. Muito obrigada! Deve ser muito ruim ver um filho assim né? Obrigada também por muitas outras coisas, como o meu travesseiro que ouve minhas lamentações, pelo meu emprego (não é lá aquelas coisas, mas me dá uma graninha), e também pela sacada do meu lindo apartamento que tanto me entretêm. Claro que eu gostaria de ter muito mais e às vezes você não atende a meus pedidos. Ainda assim, obrigada por tudo viu?

Ano que vem, por favor, vê se arranja um computador com internet para facilitar o nosso contato ok? Eu preciso te ver e ouvir sua voz, porque (admito) eu preciso de você cara!

Não vou fazer falsas promessas como: ler a bíblia todos os dias ou deixar de tomar aquela tequila de vez em quando. Mas tentarei ser mais obediente e melhorar nossa relação de Pai e filha.



Mais uma vez, obrigada.



Nos falamos de noite.



 Luciana

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Quero Seu Calor

Aqui: Eu. Nem noite de frio, nem de calor.
Aconchegante.
Nem apagada, nem reluzente. A lua simplesmente está lá e os olhos dele são mais belos que ela.


Mais cedo, maravilhosa sensação de ser desejada senti.
A pele arrepiada, pulso acelerado e a vontade de colar seu corpo nu ao meu. 
Sem demoras, vontade realizada. Nós num ritmo nosso.
Expirando os exasperos em suspiros e palavras ofegantes.
E então, preparados, chegam os momentos em que a vida, o mundo nos parecem certos.

Os minutos eram luz! Com a mesma velocidade e o mundo ainda era perfeito.

"Eu quero seu calor" é seu dizer que não sai daqui, do meu corpo e de todos os sentimentos que eu carrego nele por ele. 

Paixão, Tesão, Amor.

Reggie

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O nada

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Ah se eu tivesse inspiração... Um amor, uma dor. Ao menos imaginação.
De que adiantariam meus versos suados, às vezes rimados?
De quem seriam? Para quem seriam?
E se forem de ninguém, qual o problema?
E o vazio? Por que não se transforma em poema?


Socorro. Não sinto amor, nem dor. Não sinto nada. 
A que levam as madrugadas acordadas
As palavras reviradas?


A velha voz não ouço mais. O velho sorriso já é quase indiferente
E os velhos versos hoje me fazem rir. Quanta estupidez...
Estou livre da insensatez. Vazia.
Não espero por ninguém. A porta está fechada.
Talvez uma nova voz venha invadir meu quarto pelas frestas.

Luciana

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meus versos não são teus

Amor, engano meu dizer-te que minhas palavras rabiscadas,
eruditas ou despojadas são tuas.

Meus versos não são teus e de ninguém.

Nem meus se queres saber bem.

Até hoje não sei o que é ser poeta,

uma vez que meus versos são cativos, escravos, domados
de uma cesta cheia de rimas, estruturas, culturas...
De um cobertor de nomes.

É como o trilho de um trem.

Um vagão que nunca altera seu trajeto.
É sempre a mesma viagem, a mesma paisagem.

Amor, o que é de meus versos se são para ti,

mas agradam mais a mim?

Só os poetas entendem os poetas.

Eu não quero ser poeta para me mostrar poeta.
Eu quero sem ser poeta, o ser para que quem não seja poeta,
pense e faça de mim e dele próprio um grande poeta.
Como se nos entendêssemos, como se fôssemos poetas.

Amor, eu desabafo agora.

Eu desarrumo, eu desabo (antes do desabafo).
Eu desabrocho (depois do consolo).
Eu desafio
Meu coração, meu amor, você
A me desabrochar.



Reggina Caeiro

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Soneto de Sonho


Simplesmente que me aparecesses
Na escuridão desse momento e antes
Que pudesse sentir tua presença ofegante
Eu pensasse que nunca senti amor como esse.

E que eu pudesse antes de ouvir seus passos
Lembrar-me das nossas melodias e compassos
Aliviar-me, e de súbito abrir os olhos e ver-te perto
E perceber que pelo meu corpo já estás encoberto.

Os pelos do teu rosto já encontrando meu colo.
E de felicidade, sutilmente e romântica, até choro
Lágrimas do alívio e daquilo que chamam "contentamento"

Aos poucos, amor, tenho descoberto o que é ser poeta,
Ter amor de poesia, um amor de alma sonhadora e discreta
E no interior, eu escrava do misterioso sentimento.

Reggina Caeiro

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vazia

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Era sexta feira. A noite estava boa e a convidava.



A toalha branca contornava seu corpo molhado recém saído de um longo banho e contrastava em sua pele morena. Ela passou a mão sobre o espelho embaçado e cobriu seus olhos de maquiagem. Minuciosamente pintava seus cílios de preto. Cada pincelada trazia um pensamento diferente.
O barulho do vento que soprava na janela não era mais alto que os sentimentos desconhecidos que chegavam sem aviso.
Sua roupa esperava ao pé da cama. Cobriu as pernas com uma meia calça preta, por cima viria uma saia ousada ressaltando as formas do seu corpo. Abotoou pacientemente a camisa que lhe caía sobre os seios perfeitamente. Subiu no salto vermelho como se pudesse subir na vida. Olhou-se no espelho. Quase pôde acreditar na mulher poderosa em sua frente.
Encarou a rua com um olhar confiante e um andar ritmado. Decidiu se perder na noite sem pensar no que viria. Deixou em casa o relógio e o vazio que a preenchia.
Amanhecera frio.
Passou pela porta cambaleando, com o olhar baixo e a maquiagem borrada. Os sapatos vermelhos que estavam nas mãos foram lançados contra o chão num ato de derrota.
Deitou-se na cama e recuperou o vazio de outrora. Encolheu o corpo, se enroscou na coberta como se pudesse se proteger de algo...
Enfim, adormeceu ao barulho do vento que soprava na janela e ao som dos sentimentos que chegavam sem aviso.




Luciana

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Carta a um Homem

Esta carta é pra um homem. Um homem atraente, e irreverente.
Esta carta é pra um homem que voltou, que me fez bem novamente.
Esta carta é pra alguém que secou a chuva e a lama dos meus sapatos; é pra um homem que me fez achar graça em nada, porque o muito em nada acrescenta. O muito se transforma para muitos.
Esta carta é para um homem que transformou meu corpo numa morada de borboletas que levantam voo várias vezes no dia me fazendo cócegas e me inspirando poesia.
Esta carta é pra aquele homem com a boca cheia de palavras e os braços cheios de gestos, e que dos gestos me agradam os abraços e das palavras o hálito de exaspero. Por que me agrada o exaspero?
Nem eu me respondo. Só me agrada e pronto.
Esta carta é talvez o único conjunto completo de palavras que saíram depois de seu regresso e esse conjunto é pra um homem sem igual. 

E significa tanto...
Amor, fervor, humor...
Mas ainda é tão pouco...
Amostra, aposta, proposta...

É amor. E precisa de explicação?
É fervor, é paixão. Então deixe pro de cima o coração. 
E é humor. São piadas e tiradas que me escorregam pra sempre mais risadas e gargalhadas.
Esta carta é uma amostra do resultado da aposta a respeito de uma certa proposta...

FELICIDADE...

Finalmente, a simples carta: 

Amo-te como a mim.
E como de mim, cuido de ti.
Da sua alegria sai o meu riso.
E do seu riso, o meu contentamento.
Confesso-te, humilde, adorar
esse seu viver, seu respirar.
E, homem, junto a mim nunca houve
pessoa a quem eu pudesse tanto amar.

Reggina Caeiro

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Amanhã

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Ah... As páginas do calendário viraram tão rápido...
Amanhã.
O dia mais esperado e desejado. Aqui dentro se passa tanta coisa que não sai nada. Tantas dúvidas, tantas perguntas, tanta agonia. Só consigo imaginar a placa da cidade se aproximando e o momento do grande reencontro.
E se ele não vier? E se amanhã não for nada disso? Meu sorriso vem sempre acompanhado de um medo sem tamanho.
Nessa hora toda a paciência se esvai e o único a recorrer é o tempo.
Esperar, esperar, esperar... Até amanhã.


Luciana