quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vazia

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Era sexta feira. A noite estava boa e a convidava.



A toalha branca contornava seu corpo molhado recém saído de um longo banho e contrastava em sua pele morena. Ela passou a mão sobre o espelho embaçado e cobriu seus olhos de maquiagem. Minuciosamente pintava seus cílios de preto. Cada pincelada trazia um pensamento diferente.
O barulho do vento que soprava na janela não era mais alto que os sentimentos desconhecidos que chegavam sem aviso.
Sua roupa esperava ao pé da cama. Cobriu as pernas com uma meia calça preta, por cima viria uma saia ousada ressaltando as formas do seu corpo. Abotoou pacientemente a camisa que lhe caía sobre os seios perfeitamente. Subiu no salto vermelho como se pudesse subir na vida. Olhou-se no espelho. Quase pôde acreditar na mulher poderosa em sua frente.
Encarou a rua com um olhar confiante e um andar ritmado. Decidiu se perder na noite sem pensar no que viria. Deixou em casa o relógio e o vazio que a preenchia.
Amanhecera frio.
Passou pela porta cambaleando, com o olhar baixo e a maquiagem borrada. Os sapatos vermelhos que estavam nas mãos foram lançados contra o chão num ato de derrota.
Deitou-se na cama e recuperou o vazio de outrora. Encolheu o corpo, se enroscou na coberta como se pudesse se proteger de algo...
Enfim, adormeceu ao barulho do vento que soprava na janela e ao som dos sentimentos que chegavam sem aviso.




Luciana

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Carta a um Homem

Esta carta é pra um homem. Um homem atraente, e irreverente.
Esta carta é pra um homem que voltou, que me fez bem novamente.
Esta carta é pra alguém que secou a chuva e a lama dos meus sapatos; é pra um homem que me fez achar graça em nada, porque o muito em nada acrescenta. O muito se transforma para muitos.
Esta carta é para um homem que transformou meu corpo numa morada de borboletas que levantam voo várias vezes no dia me fazendo cócegas e me inspirando poesia.
Esta carta é pra aquele homem com a boca cheia de palavras e os braços cheios de gestos, e que dos gestos me agradam os abraços e das palavras o hálito de exaspero. Por que me agrada o exaspero?
Nem eu me respondo. Só me agrada e pronto.
Esta carta é talvez o único conjunto completo de palavras que saíram depois de seu regresso e esse conjunto é pra um homem sem igual. 

E significa tanto...
Amor, fervor, humor...
Mas ainda é tão pouco...
Amostra, aposta, proposta...

É amor. E precisa de explicação?
É fervor, é paixão. Então deixe pro de cima o coração. 
E é humor. São piadas e tiradas que me escorregam pra sempre mais risadas e gargalhadas.
Esta carta é uma amostra do resultado da aposta a respeito de uma certa proposta...

FELICIDADE...

Finalmente, a simples carta: 

Amo-te como a mim.
E como de mim, cuido de ti.
Da sua alegria sai o meu riso.
E do seu riso, o meu contentamento.
Confesso-te, humilde, adorar
esse seu viver, seu respirar.
E, homem, junto a mim nunca houve
pessoa a quem eu pudesse tanto amar.

Reggina Caeiro

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Amanhã

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Ah... As páginas do calendário viraram tão rápido...
Amanhã.
O dia mais esperado e desejado. Aqui dentro se passa tanta coisa que não sai nada. Tantas dúvidas, tantas perguntas, tanta agonia. Só consigo imaginar a placa da cidade se aproximando e o momento do grande reencontro.
E se ele não vier? E se amanhã não for nada disso? Meu sorriso vem sempre acompanhado de um medo sem tamanho.
Nessa hora toda a paciência se esvai e o único a recorrer é o tempo.
Esperar, esperar, esperar... Até amanhã.


Luciana

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

ah...

Você me aparece pelas costas.
Beija meu pescoço, e o fogo se acende.

É toda vez assim.
Sua respiração já me deixa ofegante e num golpe, me encontro com as costas em uma parede clara de uma sala desconhecida,
Mas sem me importar porque é você quem me protege.

Proteger? Proteger-me de quem ou do quê... Se é você mesmo quem me ataca?
Tanto sonhei com este beijo, que ainda me enlouquece.

Cada traço de seu rosto me deixa aérea demais pra uma paixão.
Isso é amor e você não pode negar.
Eu ficaria horas deitada nesse mesmo chão, com essa mesma música, com você.
assim como permaneceria horas imóvel só esperando seus olhos se abrirem depois daquela longa noite prometida.
E assim como posso dormir por tanto me sentir confortável perto de você.

Hoje é assim. me sinto feliz, confortável e livre ao seu lado.

Reggina

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Duas palavras

Na noite passada conversava com o Cáprio. Os poucos minutos já faziam diferença.

Esqueci o sono por uns instantes e li com prazer aquelas poucas letras. Quando me decepcionei com a despedida, me surpreendi com duas palavras perdidas dizendo “Amo você”. Encarei a tela do computador com um olhar desconfiado, mas não respondi. Deixei aqui dentro o que mais queria dizer, enquanto continha uma felicidade ingênua que tentava esconder por trás de um sorriso tímido. Não disse a ninguém. Eles diriam o de sempre, talvez sentiriam pena. Não sei o verdadeiro significado daquelas palavras e nem me interessa.


Digam, pensem, falem o que quiser.


Nada fala mais alto do que o som daquelas duas palavras ecoando no ouvido antes de dormir.



Amo você   Amo você   Amo você...

Luciana

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Música



Essa música me enlouquece de um jeito que nem sei
O sono agora é apenas esse verso mal escrito
Uma voz distante que me atiça. Um deleite surreal, talvez
Que me faz questionar quanto tempo demora um mês



Só para finalmente sermos duas notas em harmonia

Arranjadas ao mesmo ritmo
Compondo um som suave e cheio de prazer
Que toque até nascer o dia



Vamos fundo sem olhar para trás?

Eu me entrego à melodia que só as paredes ouvirão
Pode ser só um sonho de menina, ou ilusão
Desde que eu acorde apenas com o peso da sua mão
E faça de você minha eterna sina



Então vem. Vem agora

Deixe nosso futuro apenas à mercê
Diz que vem que eu deixo a porta entreaberta pra você
Então entre com um meio sorriso, ligue o som e saiba o quanto eu te quero


Luciana

domingo, 12 de setembro de 2010

O cheiro

Ontem fui dormir com um cheiro diferente na mão.
Cheiro bom, um pouco fascinante.
Faz lembrar uma noite gostosa sem compromissos e regada à tequila.
Não houve amor nem paixão, mas o perfume ficou...Parecia até que minhas mãos ainda estavam agarradas àquela nuca.
Nem o cheiro de cigarro atrapalhava.
Hoje tirei da cama meu vestido amanhecido e lá estava o cheiro. Mantive-o por uns instantes perto do rosto atiçando meu olfato e lembrando da noite passada. Posso até sentir o corpo bem próximo ao meu e duas mãos na minha cintura teimando em descer.
Não eram as mãos que sempre desejei, mas eram boas e me distraíram.
A noite foi boa, mas acabou. O cheiro ainda está no meu vestido.

Luciana

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Natural

Eu queria gritar!
Queria correr!
Queria amar!
Queria pular!
Queria cantar!
Queria dizer!
Queria sofrer!

Mas eu era covarde...

Criei coragem!
Hoje não penso muito antes de agir...

Quando quero gritar, limpo a garganta e vou!
Quando quero correr, boto tênis e vou!
Quando quero amar, me previno e vou!
Quando quero pular, me preparo pro tombo e vou!
Quando quero cantar, abro o chuveiro e vou!
Quando quero dizer, chamo meus gatos e vou!
Quando quero sofrer, arrumo um homem e vou!

"Tudo bem simples, tudo natural..."
Reggina Caeiro

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A última sexta feira

Desta vez escrevo ao Luque..


Mais uma noite na sacada.
Parece que tudo nos conduzia um ao outro. Mas resistimos bravamente.
As palavras se misturavam ao cheiro de cigarro e se desmanchavam na fumaça que saia pela boca... 
O som da guitarra soava ainda mais como tentação. Por que resistir?
Nos entregamos então ao último beijo. Depois de tantos outros, aquele foi mesmo o último.

E a noite se despedia ao som do rangido da rede, enquanto nos despedíamos com frases embriagadas ao pé do ouvido...

Mais uma madrugada, uma noite virada. Terá sido a última?

Espero não sentir falta.
Luciana

André


Meti meus pés à areia fria do sul, à águas geladas, à calçada de concreto em cima de um salto alto. Meti meus pés em solos estranhos, e as pernas em corpos estranhos.

Com os pés metidos em problemas, em receios, metia as mãos em paredes ásperas desejando que a noite acabasse de uma vez. Nas paredes eu deixava o cheiro de todo o cigarro que fumei ansiosamente. E foi encostada num desses muros que um sorriso me chamou atenção. Um modo de falar que diferenciava de todos dali. Era familiar.

Olhei mais de perto. Céus, que sorriso!!
Perguntei pra ele se nós vínhamos do mesmo lugar e, divinamente, ele disse que sim.
Naquele momento, quis e por pouco não o sequestrei. Ele era exclusivamente bonito.

Palavras, palavras e mais palavras. Minhas vontades estavam confusas. Ele não quis atrapalhar, mas não adiantou, corri até ele.

Deixei minha mão repousar por sobre a mesa perto do copo de sua bebida.
Sim, voluntariamente.
E sim, ainda bem que sim, a mão dele descansou sobre a minha e me fez sentir prazer.

E foi então que desejei a rua, queria me empoleirar em seu braço esquerdo e como um casal de noivos que sai de sua cerimônia de casamento, ganhar o mundo.
Demorou mas aconteceu.

"Vamos?"
"Vamos!"

Que caminho mais curto! Uma noite quase manhã enfeitava as palavras daquele moço que eu até mesmo esquecia o nome, às vezes.
Achei que o beijo ficaria na minha memória, mas naquela memória em que a gente guarda tudo o que gostaríamos que tivesse acontecido.
Mas não, ainda bem que não, ele me parou e me deu um beijo daqueles que tiram o ar, por ser súbito e gostoso.

E assim foi o caminho todo, não nos desgrudávamos. Até agora sinto o gostinho, e a vontade de mais.

André, seu nome.
 
Reggina