quarta-feira, 15 de junho de 2011

ex-adiada

Um caminho a seguir. Um caminho só seu.

Seu passado de tristezas, mínimas ou significantes, fica pra trás, e quem desejar ser abandonado no mesmo lugar, que fique!

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Eu sozinha, antes adiada, não me adio mais.
Nem adio ninguém, as lições valorizaram os sofrimentos, que já se tornaram cicatrizes.

Não vou adiar a quem amo.
Ao contrário, não tanto quanto uma adiada, venero, adoro, preciso do amor!
Mas, hoje, não martirizo os momentos em caso de adiamento sofrido.

Eu sou quem anda sozinha, e quem quiser andar junto, convido.

Caso apeteça, apeteço. Se não, eu sigo e me guio.

Sinta-se à vontade de compartilhar meu caminho.

E você, um grande amor meu, te convido.
Vem comigo...

Se não vier, ainda que separados, que você tenha uma vida tão boa quanto a minha!

Reggina

terça-feira, 14 de junho de 2011

Adiados

Ser adiado...
Não é ser odiado, mas também... não amado.
Triste realidade é a de ser adiado por alguém.
Participar... de um pouco.
Compartilhar o mesmo pouquinho
e sempre assim...
seguimos, nós, os adiados, sem aprender a adiar também.

Não... alguém, uma vez adiado, não adia outro alguém.
Ao contrário, constrói pedestais, altares.
É romântico doador de amor, carinho e atenção.

Pobre dos adiados.
São carentes, coitados. Abandonados.
E mesmo assim, amam.
Perdoam quem não pede o perdão.
Sofrem, exagerados, por quem nunca sofreu por ser um deles.

Os amantes adiados sofrem sendo adiados por seus amores.
Mas se eu dissesse, como legítima adiada, que junto ao sofrimento, não surge um pouco mais de amor, estaria adiando a mim mesma.

Típico.


Reggina Caeiro

domingo, 5 de junho de 2011

Beatles, Salton e despedida


Era uma festa romântica. Canções, flores e beijos.
Tudo o que eu queria era um acompanhante.
Lembrei de alguém distante que há muito tempo não via. Desejei que ele estivesse lá.
Ele estava.
Me olhou sorrindo, quis apenas que ele desejasse o mesmo.
Me contou suas histórias, elogiou meu esmalte, me estendeu a mão.
Dançamos como namorados, tão próximos que quase roubei um beijo.
Tom Jobim, Beatles e vinho branco. Rimos como velhos amigos.
Eu dizia love me too, ele: love me do.
Havia ainda uma dança pendente que eu aguardava ansiosa.
Tomamos a noite como o Salton frisante


Senti um gosto amargo quando vi que ele se despedia
O abraço demorado me fez imaginar quando seria a próxima vez
Me olhou sorrindo, quase roubou um beijo
Foi embora. Foi como quebrar a taça sobre a minha expectativa
Deixamos a dança e o beijo. Talvez outro dia...
Vi o prazer da companhia escorrendo como vinho derramado

Luciana

sábado, 14 de maio de 2011

Concubina

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Finalmente.
O desejo reprimido se desmanchou em uma noite de outono
Dessa vez a camisa não era xadrez, mas também me fascinava
Atacou de novo pedindo um beijo. Não respondi, apenas me entreguei.
Mas os braços tatuados não vieram em minha cintura, não senti seu corpo me pressionando como eu queria, nem o beijo me sufocou como imaginava. As expectativas morreram de desengano.
Esperei na janela, como de costume.
Vi seu carro chegar. Ele não estava sozinho, como imaginava.
Sorriu de longe, reservado. Minhas dúvidas acabaram, meu desejo hesitou.
Foi uma punhalada.
Só porque eu me entregava a outro desatino, mergulhava em uma loucura...
Só porque eu ainda desejava...
Serei eu uma concubina?
Decepção, revolta e desejo...
Decepção de achar que eu poderia me entregar
Revolta por saber que poderei ser a outra
E ainda assim imaginar seus braços em minha cintura e seu corpo colado ao meu.

Luciana

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Vontade

Ah... Ele veio de camisa xadrez, sorrateiro.  Me olhou despretensioso, insinuante, daquele jeito...
Fingi que não sentia nada, mas as palavras tremulavam de desejo.


Fitou meu decote, me elogiou.
No silêncio atacou.


“Que vontade de te dar um beijo”. Ali me pôs em cheque.
Quis que ele viesse de uma vez, matasse toda a vontade.


Hesitei, estava prestes a contra-atacar.
Esquivei.


Agora temo o arrependimento e ouço o eco da sua voz no meu quarto...
Quase posso sentir aquelas mãos na minha cintura.
Só de imaginar, enlouqueço. Suspiro...
Agora, a vontade ferve, desconcentra, me faz ansiar pela próxima vez.


Luciana

sábado, 9 de abril de 2011

Sinto falta

Ouvi o som da guitarra e me lembrei das noites embriagadas na sacada. A voz me lembrou das inconseqüências que nos acompanhavam durante toda a madrugada. Sentávamos na cadeira, às vezes na rede, apenas como bons amigos esperando ansiosamente pelo momento da entrega. Por vezes eu temia que ela nunca chegasse, então minhas expectativas se desmanchavam na fumaça do cigarro.
Quando eu menos esperava, ele vinha por trás e mudava o rumo da noite. A música nos envolvia tanto que eu me esquecia do que viria amanhã, sem pensar aonde chegaríamos... Sem querer, íamos até onde nunca havia imaginado. Não com ele.
Mesmo que meu pensamento fosse de outro, meu corpo era todo dele.
Foram longas as noites de dúvidas e entregas. Cigarros, bebidas e beijos. Noites frias e boas.
Até que um dia, voltamos a ser só os bons amigos que deixaram as recaídas e as loucuras. Grande amigo que hoje não me desperta mais os desejos.
Mas que, ainda como amigo, me desperta uma lúgubre e amarga saudade.



Luciana

quinta-feira, 24 de março de 2011

Outro

Ah como é bom te ver como um qualquer.
Seu nariz de palhaço na tela do computador não acelera mais meu coração.
Que agora não é mais palhaço. Não mora mais em suas mãos.

Meus olhos agora focam um homem com a barba por fazer
Meu corpo anseia por um braço tatuado que às vezes toca minha cintura
E um olho que me atiça os instintos

Ah, é um prazer não sentir mais nada
Saber que há um homem por perto que me olha com olhos verdes
Cheios de desatino e desejo. Eu vejo

Você custou a sair de mim, mas hoje nem me incomoda
Suas palhaçadas não mais me fascinam
Nem o sorriso me comove
Agora, sou aos poucos tomada por outro homem.




Luciana

quinta-feira, 17 de março de 2011

todo seu corpo

A ansiedade em te encontrar não cabe aqui dentro do meu peito, do meu corpo todo. Todo quente.

À noite, o travesseiro tem seu rosto e parece responder se o chamo pelo seu nome...
Quanta indecência hoje. Mais que ontem e os outros dias. Mais que amanhã?
Não. E nem quero.

Eu me olho nesse espelho velho e amigo, que me mostra cada canto do meu corpo, e cada canto meu me mostra um canto seu.
É aquela antiga fala romântica com seu lado mais depravado.
“Tudo me lembra você”: Todo meu corpo me lembra seu corpo.

Todo seu corpo me lembra de todas as noites, tardes e manhãs silenciadas por longos beijos, suspiros e sussurros.
Lembra-me de todo contato da minha pele com a sua; e nossos desejos transmitidos um ao outro num segundo, sem palavras.
Todo meu corpo me lembra todo o seu corpo pressionando, onde quer que seja.
Todo meu corpo me lembra seus lábios, porque não há um canto que você ainda não tenha percorrido com eles.

No escuro é como se eu ouvisse os mais pervertidos nomes que já saíram da sua boca ao pé do meu ouvido e me delicio a esse som.

Vem...
Vem rápido. Que eu te desejo como nunca.

Reggina Caeiro




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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Agora

Nos deitamos...
Agora nos beijamos tão deliciosamente quanto nunca.
Agora eu não me contenho e beijo todo o seu corpo já nu.

Agora limpo o cantinho da boca.

Agora me deito e você me vem por cima.
Agora sinto suas mordidas enquanto me tira o que resta de roupa.
Agora você percebe que estou de vermelho, a sua cor preferida.
Agora você se esquece das cores porque já não as vê em nenhum lugar.
E agora eu sinto seu golpe molhado e macio.

Agora meu quadril parece levitar.

Agora eu peço que você troque de golpe.
E agora eu sinto o golpe rígido e fico sem fôlego.

Agora eu perco o resto da vergonha e não me chamo Reggina, agora sou concubina.

Agora...
            Agora...
                        Que calor.

Agora entramos num ritmo incrível e nosso.

Agora, de cabeça pra baixo, você me diz, sem dizer, que chegou ao “topo”.

Parece que foi tão rápido... e agora é a minha vez.
Agora foi a minha vez, agora ainda é a minha vez. Ainda estou no “topo”!
Cheguei rápido, e ainda não saí dele!

E agora você ainda está aqui e me segura num abraço enquanto meu corpo desaba.

Agora, por mais que eu peça pra cessar você não para de me entreter.

E agora, me excita tanto, que chega a minha vez novamente. Ah... o “topo”.

Agora eu durmo.
Agora você me abraça.
Agora você me acorda pra chegarmos no “topo” mais uma vez.

Reggina Caeiro
06/02/11

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Quebrando o silêncio

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Enquanto o sono não vinha, permaneci imóvel na cama, lutando com memórias agridoces. As paredes do quarto comprimiam cada pensamento mais ousado que por ventura aparecia. A janela aberta recebia muito bem a brisa noturna de cheiro suave.
Uma ligação inesperada veio de repente quebrando o silêncio da madrugada. Eu já sabia quem era. Atendi ao telefone com um sorriso pretensioso temendo me decepcionar.  Então ouvi sua voz falando de forma despojada, porém fascinante. Enquanto ele falava, eu me perguntava o porquê da ligação.
Sorri de novo temendo me iludir. Durante aqueles breves minutos as paredes perderam a força. A voz veio acompanhada a um estranho deleite. Distraiu a carência, me fez sentir bem. Não foi suficiente para amolecer o coração, mas poderosa para ecoar entre as paredes do meu quarto até que eu pegasse no sono.
Luciana