Querido , Caprio
Você deve saber que não me deu nada do que eu queria, você não me correspondeu da maneira como eu esperava, não cumpriu o que disse, nem disse o que deveria. Ainda assim te agradeço pela única coisa que você me deu: inspiração.
Por sua causa minha cabeça lateja por imaginação, borbulha palavras. Ah... As palavras, Caprio! Elas roubaram de você toda a minha atenção e minha dedicação. Nelas encontrei refugio para a minha loucura e conforto para a minha desilusão. Descobri que elas são muito mais dignas do meu amor do que você. Elas são muito mais estáveis e lindas, muito mais! São eternas.
Os planos que construí com você ruíram e hoje não passam de pó. As palavras não. Elas se edificam, se modelam à minha maneira e permanecem. Elas são espontâneas, não mentem nem decepcionam. Por isso eu amo quase todas elas.
As únicas palavras que eu odeio são os versos de amor. Tento fugir das músicas e filmes românticos. Quero distância das letras melosas, piegas, toscas, ridículas e de cenas de romance tão surreais porque elas me trazem à memória tudo o que eu gostaria de esquecer. Ainda entalam minha garganta, embaçam meus olhos e perturbam o meu coração. Coração ridículo, tosco.
Luciana


3 comentários:
Lú, seus textos atingem o fundo do meu coração, talvez porque esteja tão triste quanto o seu.
A busca Incessável pelo amor é o que nos motiva e o que nos destroi...
Você disse que seria a última...
Não consigo.. LB.
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