domingo, 26 de dezembro de 2010

Uma carta

São Bernardo do Campo, 25 de Dezembro de 2010

Olá, tudo bem?



Entre todas as minhas cartas, esta é a única que escrevo para você (se me permite chamá-lo assim). Tudo bem, eu sei que não fui uma boa menina esse ano. Não sei se peço desculpas, pois sei que vou fazer cagadas ano que vem. Isso não é algo do qual me orgulho, mas vou me esforçar para não te decepcionar, prometo!

Deixando as desculpas de lado, vou ao menos agradecer, especialmente por esse dia. O peru, a costela, o salpicão e os presentes são para lembrar o nascimento do seu querido filho. Não são todos que sabem do seu sacrifício em mandar o bom menino à Terra para sofrer e morrer por esse povo ignorante. Muito obrigada! Deve ser muito ruim ver um filho assim né? Obrigada também por muitas outras coisas, como o meu travesseiro que ouve minhas lamentações, pelo meu emprego (não é lá aquelas coisas, mas me dá uma graninha), e também pela sacada do meu lindo apartamento que tanto me entretêm. Claro que eu gostaria de ter muito mais e às vezes você não atende a meus pedidos. Ainda assim, obrigada por tudo viu?

Ano que vem, por favor, vê se arranja um computador com internet para facilitar o nosso contato ok? Eu preciso te ver e ouvir sua voz, porque (admito) eu preciso de você cara!

Não vou fazer falsas promessas como: ler a bíblia todos os dias ou deixar de tomar aquela tequila de vez em quando. Mas tentarei ser mais obediente e melhorar nossa relação de Pai e filha.



Mais uma vez, obrigada.



Nos falamos de noite.



 Luciana

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Quero Seu Calor

Aqui: Eu. Nem noite de frio, nem de calor.
Aconchegante.
Nem apagada, nem reluzente. A lua simplesmente está lá e os olhos dele são mais belos que ela.


Mais cedo, maravilhosa sensação de ser desejada senti.
A pele arrepiada, pulso acelerado e a vontade de colar seu corpo nu ao meu. 
Sem demoras, vontade realizada. Nós num ritmo nosso.
Expirando os exasperos em suspiros e palavras ofegantes.
E então, preparados, chegam os momentos em que a vida, o mundo nos parecem certos.

Os minutos eram luz! Com a mesma velocidade e o mundo ainda era perfeito.

"Eu quero seu calor" é seu dizer que não sai daqui, do meu corpo e de todos os sentimentos que eu carrego nele por ele. 

Paixão, Tesão, Amor.

Reggie

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O nada

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Ah se eu tivesse inspiração... Um amor, uma dor. Ao menos imaginação.
De que adiantariam meus versos suados, às vezes rimados?
De quem seriam? Para quem seriam?
E se forem de ninguém, qual o problema?
E o vazio? Por que não se transforma em poema?


Socorro. Não sinto amor, nem dor. Não sinto nada. 
A que levam as madrugadas acordadas
As palavras reviradas?


A velha voz não ouço mais. O velho sorriso já é quase indiferente
E os velhos versos hoje me fazem rir. Quanta estupidez...
Estou livre da insensatez. Vazia.
Não espero por ninguém. A porta está fechada.
Talvez uma nova voz venha invadir meu quarto pelas frestas.

Luciana

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meus versos não são teus

Amor, engano meu dizer-te que minhas palavras rabiscadas,
eruditas ou despojadas são tuas.

Meus versos não são teus e de ninguém.

Nem meus se queres saber bem.

Até hoje não sei o que é ser poeta,

uma vez que meus versos são cativos, escravos, domados
de uma cesta cheia de rimas, estruturas, culturas...
De um cobertor de nomes.

É como o trilho de um trem.

Um vagão que nunca altera seu trajeto.
É sempre a mesma viagem, a mesma paisagem.

Amor, o que é de meus versos se são para ti,

mas agradam mais a mim?

Só os poetas entendem os poetas.

Eu não quero ser poeta para me mostrar poeta.
Eu quero sem ser poeta, o ser para que quem não seja poeta,
pense e faça de mim e dele próprio um grande poeta.
Como se nos entendêssemos, como se fôssemos poetas.

Amor, eu desabafo agora.

Eu desarrumo, eu desabo (antes do desabafo).
Eu desabrocho (depois do consolo).
Eu desafio
Meu coração, meu amor, você
A me desabrochar.



Reggina Caeiro