quinta-feira, 24 de março de 2011

Outro

Ah como é bom te ver como um qualquer.
Seu nariz de palhaço na tela do computador não acelera mais meu coração.
Que agora não é mais palhaço. Não mora mais em suas mãos.

Meus olhos agora focam um homem com a barba por fazer
Meu corpo anseia por um braço tatuado que às vezes toca minha cintura
E um olho que me atiça os instintos

Ah, é um prazer não sentir mais nada
Saber que há um homem por perto que me olha com olhos verdes
Cheios de desatino e desejo. Eu vejo

Você custou a sair de mim, mas hoje nem me incomoda
Suas palhaçadas não mais me fascinam
Nem o sorriso me comove
Agora, sou aos poucos tomada por outro homem.




Luciana

quinta-feira, 17 de março de 2011

todo seu corpo

A ansiedade em te encontrar não cabe aqui dentro do meu peito, do meu corpo todo. Todo quente.

À noite, o travesseiro tem seu rosto e parece responder se o chamo pelo seu nome...
Quanta indecência hoje. Mais que ontem e os outros dias. Mais que amanhã?
Não. E nem quero.

Eu me olho nesse espelho velho e amigo, que me mostra cada canto do meu corpo, e cada canto meu me mostra um canto seu.
É aquela antiga fala romântica com seu lado mais depravado.
“Tudo me lembra você”: Todo meu corpo me lembra seu corpo.

Todo seu corpo me lembra de todas as noites, tardes e manhãs silenciadas por longos beijos, suspiros e sussurros.
Lembra-me de todo contato da minha pele com a sua; e nossos desejos transmitidos um ao outro num segundo, sem palavras.
Todo meu corpo me lembra todo o seu corpo pressionando, onde quer que seja.
Todo meu corpo me lembra seus lábios, porque não há um canto que você ainda não tenha percorrido com eles.

No escuro é como se eu ouvisse os mais pervertidos nomes que já saíram da sua boca ao pé do meu ouvido e me delicio a esse som.

Vem...
Vem rápido. Que eu te desejo como nunca.

Reggina Caeiro




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