terça-feira, 16 de novembro de 2010

Soneto de Sonho


Simplesmente que me aparecesses
Na escuridão desse momento e antes
Que pudesse sentir tua presença ofegante
Eu pensasse que nunca senti amor como esse.

E que eu pudesse antes de ouvir seus passos
Lembrar-me das nossas melodias e compassos
Aliviar-me, e de súbito abrir os olhos e ver-te perto
E perceber que pelo meu corpo já estás encoberto.

Os pelos do teu rosto já encontrando meu colo.
E de felicidade, sutilmente e romântica, até choro
Lágrimas do alívio e daquilo que chamam "contentamento"

Aos poucos, amor, tenho descoberto o que é ser poeta,
Ter amor de poesia, um amor de alma sonhadora e discreta
E no interior, eu escrava do misterioso sentimento.

Reggina Caeiro

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vazia

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Era sexta feira. A noite estava boa e a convidava.



A toalha branca contornava seu corpo molhado recém saído de um longo banho e contrastava em sua pele morena. Ela passou a mão sobre o espelho embaçado e cobriu seus olhos de maquiagem. Minuciosamente pintava seus cílios de preto. Cada pincelada trazia um pensamento diferente.
O barulho do vento que soprava na janela não era mais alto que os sentimentos desconhecidos que chegavam sem aviso.
Sua roupa esperava ao pé da cama. Cobriu as pernas com uma meia calça preta, por cima viria uma saia ousada ressaltando as formas do seu corpo. Abotoou pacientemente a camisa que lhe caía sobre os seios perfeitamente. Subiu no salto vermelho como se pudesse subir na vida. Olhou-se no espelho. Quase pôde acreditar na mulher poderosa em sua frente.
Encarou a rua com um olhar confiante e um andar ritmado. Decidiu se perder na noite sem pensar no que viria. Deixou em casa o relógio e o vazio que a preenchia.
Amanhecera frio.
Passou pela porta cambaleando, com o olhar baixo e a maquiagem borrada. Os sapatos vermelhos que estavam nas mãos foram lançados contra o chão num ato de derrota.
Deitou-se na cama e recuperou o vazio de outrora. Encolheu o corpo, se enroscou na coberta como se pudesse se proteger de algo...
Enfim, adormeceu ao barulho do vento que soprava na janela e ao som dos sentimentos que chegavam sem aviso.




Luciana